“A nossa esperança era que pudesse ser distribuído por toda a gente e revolucionar a maneira como estamos a lidar com a pandemia e com o ter de ficar em casa, quando não se tem a certeza se se está doente. A coisa que é revolucionária neste teste não é a tecnologia, porque isso já existe, mas é tentar usar esta tecnologia em casa.”

A descrição de Ana Pinharanda desarma-nos perante a complexidade como o mundo tem lidado com a pandemia de covid-19. Ainda que a Organização Mundial de Saúde e muitos países recomendem que é preciso “testar, testar, testar”, na prática ainda são muito poucos os que se fazem testar ao novo coronavírus. Tanto mais que, em geral, os que testam são os que têm sintomas e não os assintomáticos ou os pré-sintomáticos. Ora, tendo em conta que “entre 40 a 70% das pessoas positivas com o novo coronavírus não desenvolvem sintomas nenhuns” e que “a pessoa está o mais infecciosa um dia antes de começar a desenvolver sintomas”, isto significa que “em média 50% por cento das pessoas que infectam outras pessoas ou não têm sintomas de todo ou ainda não desenvolveram sintomas”.

Por isso é que é importante testar todos os dias e testar mesmo quando não se tem sintomas”, resume Ana Pinharanda.

Então e se toda a gente pudesse fazer o teste à covid-19 em casa? Esta é uma possibilidade que está a ser trabalhada por investigadores na Columbia University, em Nova Iorque, nomeadamente por Ana Pinharanda.

Depois de um doutoramento em genética e evolução na Universidade de Cambridge, a cientista mudou-se para os Estados Unidos para fazer um pós-doutoramento na mesma área, mas a chegada da COVID-19 levou-a a associar-se imediatamente às pesquisas em torno do novo coronavírus para tentar ajudar a mitigar o contágio.

Ana Pinharanda está a trabalhar em experiências para encontrar os melhores métodos para descontaminar máscaras em casa e integra a equipa que está a desenvolver o tal kit caseiro com um teste de covid-19 rápido, barato e não invasivo.

Este teste consiste numa tecnologia que já existe, que é uma tecnologia colorimétrica. Normalmente, nos testes de covid-19 que existem, o DNA ou RNA tem de ser amplificado e é amplificado com diferentes temperaturas. Esta tecnologia que nós estamos a usar necessita só de uma temperatura, o que quer dizer que pode ser realizado em casa.

O teste consiste no usuário cuspir para um tubo, adicionar uns reagentes que serão providenciados com o ‘kit’ e aquecer esse tubo durante 30 ou 40 minutos. Passado esse tempo vai-se ver ou não uma mudança de cor. Se houver mudança de cor, de cor-de-rosa para amarelo, então a pessoa está positiva; se o tubo passado 40 minutos continuar a ser cor-de-rosa, então a pessoa está negativa. Cada um destes testes custa cerca de um euro por teste e a ideia será que eles possam ser distribuídos e toda a gente, todos os dias, se testaria antes de sair de casa e se fosse positivo ficaria em casa”, descreve a investigadora.

Quando estiver disponível, o teste tem de ser aprovado pela Food and Drug Administration, nos Estados Unidos.

Nesta conversa que pode ouvir clicando na reportagem áudio, Ana Pinharanda recomenda o uso de máscara até ao ar livre, fala sobre a importância de se usar máscara constantemente e “não como se fossem óculos de sol”, conta como tem sido viver no coração da pandemia e no país mais afectado pela covid-19 e descreve as experiências que tem feito no Zuckerman Institute em torno da descontaminação de máscaras N95 (FFP2 equivalente europeia).


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