O chefe de Estado tanzaniano afirmou, no domingo (03.05), que as pessoas que testaram positivo para o novo coronavírus no país podem não estar, de facto, doentes.

Num pronunciamento transmitido em direto pela televisão estatal da Tanzânia, Magufuli colocou em causa a credibilidade do laboratório nacional do país, responsável pelos testes.

Segundo o Presidente, "o equipamento ou as pessoas [que trabalham no laboratório] podem estar comprometidos e às vezes podem ser sabotados".

No boletim mais recente, divulgado na quarta-feira passada (29.04), as autoridades apontavam 480 casos confirmados e 16 mortes por Covid-19 no país.

No entanto, estes dados, de acordo com o Presidente, podem não corresponder à realidade e, por isso, John Magufuli pediu a investigação.

Críticas ao Governo

As autoridades da Tanzânia têm sido hesitantes em emitir atualizações sobre o número de infeções pelo novo coronavírus. E o Presidente John Magufuli tem-se recusado a introduzir medidas rigorosas para travar a propagação do vírus.

Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criticou o país pela contínua falta de cooperação e transparência na luta global contra a pandemia da Covid-19.

Após quatro dias de silêncio, as autoridades divulgaram a sua última atualização sobre o número de infeções no país na quarta-feira. Por outro lado, quase todos os países africanos divulgam relatórios diários, incluindo o número atual de infeções, mortes e recuperações.

Oposição também pede transparência

A oposição da Tanzânia também criticou a forma como o Governo está a lidar com a crise da Covid-19, alegando que as autoridades estão a esconder números e não estão a levar a pandemia a sério.

Freeman Mbowe, presidente do principal partido da oposição Chadema, disse que o Governo está a tratar a pandemia como um "segredo". Num discurso na televisão, o líder da oposição defendeu: "[A Covid-19] requer transparência, verdade e participação para combatê-la... Os nossos casos estão a disparar a um ritmo alarmante, enquanto muitos países estão a achatar a curva", completou o presidente do Chadema.

Há receios de que o surto na Tanzânia seja muito maior do que as autoridades estão a relatar. Começaram a circular boatos sobre os corpos sendo enterrados à noite, num esforço para esconder o verdadeiro número de mortes devido ao coronavírus - o que Mbowe diz não ser surpreendente, dadas as circunstâncias.

"Vemos pessoas a morrer e seus enterros são supervisionados pelo Governo sob condições estritas, mas ainda assim [eles] não nos estão a dizer que morreram de coronavírus", disse Mbowe. "Não há transparência e, quando as pessoas não têm informações, abre-se espaço para rumores".

Esforços concentrados

O oficial de informações de saúde pública do Ministério da Saúde, Comunidade, Desenvolvimento e Juventude, Tumaini Haonga, disse à DW que o Governo está a concentrar os seus esforços no aumento da consciencialização sobre o coronavírus e no aconselhamento aos cidadãos, para permanecerem vigilantes quanto à disseminação de informações online.

"Todas as informações oficiais estão a ser divulgadas pelo Ministério da Saúde", afirmou o oficial. "Em relação às informações que estão a espalhar [online], aconselhamos as pessoas a lerem menos e seguirem as informações oficiais divulgadas pelo ministério, o que reflete a situação real na Tanzânia", complementou Tumaini Haonga.

A crescente contaminação

Na última atualização sobre a pandemia na Tanzânia, o primeiro-ministro Kassim Majaliwa disse que o país de 56 milhões de pessoas registou um salto de 69% em número de infetados em apenas cinco dias.

Majaliwa não ofereceu explicação para o silêncio do Governo sobre os números da doença, embora tenha alertado contra a "tendência de algumas pessoas de emitir estatísticas falsas que levam a inquietação desnecessária na sociedade".

No continente africano, os casos de coronavírus notificados até agora são relativamente baixos em comparação com a Europa e os Estados Unidos. No entanto, o continente tem uma capacidade de teste muito menor, com aproximadamente 500 testes realizados por um milhão de pessoas. Na Tanzânia, o primeiro caso foi registado a 16 de março.

por: Ineke Mules, Grace Kabogo, mo

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