Depois de "contínuos contactos e debates" de representantes dos talibãs e do CICR em Doha, os islamitas, que exercem um controlo de facto sobre vastas partes do Afeganistão, decidiram voltar à situação anterior a abril, quando a organização humanitária suspendeu a sua atividade no país.

Nessa altura, a organização humanitária foi forçada a parar, nomeadamente as visitas a prisioneiros e cuidados aos feridos, por os talibãs lhe retirarem as garantias de segurança, alegando discordar da "quantidade e qualidade" dos seus serviços.

"Com a publicação deste comunicado, o Emirato Islâmico do Afeganistão - como se autodenominam os talibãs - restaura as garantias de segurança ao CICR no Afeganistão e informa os combatentes para facilitarem ao CICR o desenvolvimento das suas atividades", afirmaram os insurgentes.

Representantes do Comité Internacional da Cruz Vermelha em Cabul evitaram fazer comentários de momento sobre a decisão dos talibãs.

Em abril, o CICR tinha lamentado que, com a proibição, "milhares" de afegãos "atingidos pelo conflito" se veriam privados da ajuda humanitária que proporciona a organização.

As divergências entre o CICR e os talibãs têm-se repetido durante os últimos anos, com casos recentes como o de outubro passado, quando os insurgentes restabeleceram garantias de segurança à organização depois de dois meses de suspensão.

Naquela ocasião a proibição deveu-se a que, segundo os talibãs, o CICR não tinha tomado "medidas para tratar os prisioneiros".

Depois de 18 anos de guerra no Afeganistão, que começou com a invasão dos Estados unidos em 2001 e que levou à derrocada do regime talibã, o país continua a precisar de forma urgente de ajuda humanitária e de serviços sanitários para as vítimas do conflito.

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