Na semana passada, o Procurador-Geral da Repúbica, Hélder Pitta Grós, admitiu poder, juntamente com as autoridades judiciais portuguesas, emitir um mandado de captura contra a filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos.

Dokolo denuncia a corrupção em Angola e diz que João Lourenço conseguiu o seu património “à custa da corrupção”.

Analistas dizem que a família Santos encontra-se cada vez mais “apertada”.

Em entrevista concedida na sexta-feira, 26, à Rádio MFM, Sindika Dokolo, afirmou que a esposa “está a ser vítima de perseguição política” pelo fato de, durante o seu consulado de dois anos como presidente do Conselho da Administração da Sonangol, “ter descoberto e tentado organizar buracos financeiros deixados pelos anteriores gestores” da petrolífera.

O também empresário apontou o dedo ao Presidente da República, João Lourenço, a quem acusou de ter “conseguido todo o seu património, incluindo casas localizadas nos Estados Unidos de América, à custa da corrupção”.

Dokolo revelou que o fato de ter casado com a filha do ex-Chefe de Estado não lhe permitiu aceder a facilidades aos negócios e denunciou que não conhece em Angola, “nenhum governante que consiga justificar o seu património com o seu salário”.

As declarações de Dokolo têm alimentado comentários e opiniões nos círculos de opinião em Luanda.

O analista Rui Kandove considera que a família do antigo Presidente está apertada e que Dokolo tenta desta forma “apelar a uma negociação com as autoridades angolanas”.

O jurista Manuel Pinheiro entende que as declarações de Sindika Dokolo demonstram uma falta de orientação.

“A família dos Santos está assustada porque não pensava que com a saída do membro da família estaria a mudar as instituições e as declarações de Dokolo sobre as riquezas dos angolanos mostram que está completamente desesperado e sem orientação”, sustentou.

A este propósito, a VOA sabe que tem havido contatos entre as duas partes, mas sem sucesso até agora, intermediados por Sérgio Raimundo dos Santos, advogado de Isabel dos Santos e Walter Tondela, defensor de Sindika Dokolo, em Luanda.

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