Em declarações hoje à agência Lusa, o secretário-geral do SJA, Teixeira Cândido, considerou “anedótico” o facto de o Ministério Público ter indiciado o jornalista pelas alegadas injúrias às autoridades por este ter denunciado, enquanto secretário provincial do sindicato, um “ato reprovável” da escolta do governador provincial.

Segundo Teixeira Cândido, o jornalista cumpriu o seu dever de defesa da liberdade de imprensa e dos interesses dos profissionais.

“Não faz sentido, que na sequência disso possa ser acusado de ter injuriado uma autoridade. Injúria como, se o governo provincial pediu desculpas à colega Carla e foi na sequência das desculpas do governo provincial que a colega retirou a queixa que tinha feito à Procuradoria-Geral da República”, questionou.

Teixeira Cândido recordou que a jornalista apresentou queixa na PGR contra a escolta do governador, porque houve uma agressão, perguntando onde está a injúria.

“O sindicato entendeu que é um processo kafkiano, anedótico, não faz qualquer sentido. O Ministério Público parece que esquece que tem competência de fazer cumprir a legalidade e a lei não pode estar apenas do lado dos mais fortes”, disse.

O sindicalista reiterou que é totalmente “anedótico o processo” e o posicionamento do sindicato vai ser de repúdio a “esta tentativa de inibir o exercício dos profissionais”.

Em abril, a jornalista Carla Miguel, da televisão pública angolana TPA, queixou-se de ter sido agredida, quando se encontrava em serviço, pela escolta do governador provincial do Namibe, Archer Mangueira, que terá manifestado a sua insatisfação pelo facto de a equipa televisiva ter “ultrapassado o carro da escolta”.

A jornalista, que inicialmente apresentou uma queixa contra o suposto agressor na Procuradoria-Geral da República, decidiu retirá-la, depois de um pedido de desculpas público do governo provincial.

Em carta, a que agência Lusa teve acesso na altura, a jornalista confirmou a ocorrência do incidente, salientando que, apesar de a equipa ter atendido ao “repúdio do senhor Bruno Katié Fernandes, este procedeu a seguir com agressões verbais e também físicas. “Pegou-me de forma agressiva pelos braços, invadindo a minha sensibilidade”, contou.

A jornalista salientou ainda que, por ter recebido um pedido formal de desculpas do gabinete do governador, após consulta ao conselho de administração da TPA em Luanda, aceitou não entrar com “nenhuma ação judicial contra o senhor Bruno Katié Fernandes, chefe da escolta do governador Archer Mangueira” e anterior ministro das Finanças.

Por sua vez, o governo da província considerava na sua carta, “reprovável” a postura por parte do chefe da escolta, que “não se coaduna com a forma de estar de sua excelência senhor governador provincial do Namibe, Archer Mangueira”, vindo por isso apresentar por aquela via o “profundo e sincero pedido de desculpas pelo sucedido”.

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