Numa nota com a epígrafe “Imprensa Privada sem o Apoio do Estado”, enviada hoje à Lusa, o SJA disse que o esforço empreendido em conjunto com a direção dos órgãos no sentido de conseguir apoio para a imprensa privada “acabou inglório”.

“O Sindicato dos Jornalistas Angolanos foi informado de que o Estado não tem disponibilidade para apoiar especificamente a imprensa, devendo esta aproveitar as medidas já existentes”, lê-se no documento.

O SJA, afirmou, no entanto, não vislumbrar qualquer medida tomada pelo executivo com cabimento para a imprensa privada e lamenta, profundamente, que o incentivo à imprensa, legal e consagrado há décadas, seja mais uma vez recusado.

“Situação que coloca os órgãos privados numa verdadeira prova de sobrevivência”, lamentou.

Em abril, jornalistas angolanos, sobretudo de órgãos privados, manifestaram-se confiantes que a “situação crítica” do setor, agravada pela covid-19, com “dificuldades para pagar salários”, seria ultrapassada, após reunião com o ministro da Comunicação Social sob indicação do Presidente angolano.

“Esperamos que sim, porque este sinal que o Presidente da República, João Lourenço, deu pressupõe que sim, vamos acreditar que sim, que realmente os dias de aflição e dificuldades que vivemos sejam ultrapassadas”, afirmou na ocasião Teixeira Cândido, secretário-geral do SJA.

Falando à Lusa no final de uma reunião que mantiveram com o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social angolano, Manuel Homem, o sindicalista observou que o atual cenário da imprensa privada angolana “é crítico e emergencial”.

Passados quase quatro meses, o SJA reiterou hoje que a imprensa privada “vive dias difíceis, como nunca antes”, realidade semelhante à de outros países, razão pela qual “muitos decidiram apoiar a imprensa privada por reconhecer o seu papel estruturante para a promoção das liberdades e democracia”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola entregou, no final de julho, as empresas de comunicação social privadas do grupo Media Nova, dos generais “Dino” e “Kopelipa” e do ex-vice-Presidente Manuel Vicente, ao ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.

Num comunicado, o órgão judicial adiantava que a entrega das empresas da Media Nova aconteceu através do Serviço Nacional de Recuperação de Ativos, “em virtude de terem sido constituídas com o apoio e reforço institucional do Estado”.

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