"A sua tarefa, o seu caderno de encargos é vasto e complexo. (...) A CPLP é uma organização jovem, (...), necessita de se adequar aos novos tempos e há procedimentos que têm de ser revistos", afirmou o embaixador Francisco Ribeiro Telles, dirigindo-se ao diplomata são-tomense Armindo Brito Fernandes, que hoje tomou posse em Lisboa como diretor-geral da organização.

Isto para, de seguida, referir aquelas que considera serem as três prioridades para a CPLP.

"Até à cimeira de Luanda [cimeira de chefes de Estado e de Governo], no início de setembro, e até ao final do meu mandato, em dezembro próximo, temos a mobilidade", afirmou Ribeiro Telles, realçando, mais uma vez "o trabalho notável da presidência cabo-verdiana" para o desenvolvimento deste processo, cuja proposta será levada a conselho de ministros extraordinário em abril, para ser aprovada.

A segunda prioridade para Ribeiro Telles é estabelecer um novo estatuto para os observadores associados.

"Temos de pensar em novas modalidades de participação dos países observadores e das organizações internacionais nos trabalhos da CPLP", defendeu.

Segundo o responsável estes "também devem constituir uma mais-valia para a CPLP”.

“Por isso estamos todos empenhados para que na cimeira de Luanda possam surgir resultados concretos em relação ao que será a nova participação dos observadores associados", considerou.

O secretário executivo apontou ainda a criação de um quarto pilar de dimensão económica da CPLP.

"Sei que a presidência angolana irá dar um especial ênfase a esta matéria e que é natural que haja a constituição de um quarto pilar da CPLP, que está, de certa forma previsto nos seus estatutos. Espero que possa ver a luz do dia. Porque é isso que os nossos cidadãos querem, uma CPLP mais ativa e participativa nas questões económicas", afirmou.

O novo diretor-geral da CPLP defendeu hoje, na sua tomada de posse, o empenho de todos os Estados-membros para que se resolva a situação financeira da organização.

"Vamos trabalhar com todos os Estados-membros sobre essa situação, todos têm atravessado uma conjuntura muito difícil, mas acho que havendo empenho poderemos ultrapassar as nossas dificuldades", afirmou Armindo Brito Fernandes, na tomada de posse.

Para o diplomata são-tomense, “é necessário que o secretariado executivo disponha de meios e condições para que possa cumprir com as suas funções”.

A falta de pagamento de quotas e o subfinanciamento da organização têm sido alguns dos problemas identificados por responsáveis políticos da CPLP.

Armindo Brito Fernandes defendeu, já depois de ter sido escolhido para o cargo, o alargamento da organização a outros países que não falam o português.

"Os países têm estado a procurar a CPLP, associam-se e estabelecem acordos com a organização. Esses acordos têm muito a ver com a promoção e difusão da língua portuguesa e está-se justamente a estudar a possibilidade de alargar a cooperação com os membros observadores a outros níveis", disse Armindo Fernandes, à saída de uma audiência com o primeiro-ministro são-tomense, Jorge Bom Jesus.

A escolha do novo diretor-geral da CPLP resulta de um concurso lançado pela organização, ao qual concorreram 132 candidatos, segundo a informação disponibilizada pela diplomacia são-tomense.

Depois de entrevistas realizadas aos 10 candidatos, foram selecionados como finalistas o diplomata de São Tomé e Príncipe e um candidato de Moçambique, acabando a escolha por recair sobre Armindo Brito Fernandes, 58 anos, licenciado em Direito com uma especialização em Direito Internacional pela Universidade de Kiev, Ucrânia.

Embaixador do quadro da carreira diplomática de São Tomé e Príncipe, Armindo Brito Fernandes exercia desde 2013 funções de coordenação e gestão no Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades de São Tomé e Príncipe, com responsabilidades na área do Fundo Europeu de Desenvolvimento.

O diretor-geral é o responsável, sob a orientação do secretário executivo, pela gestão corrente, planeamento e execução financeira, preparação, coordenação e orientação das reuniões e projetos ativados pelo secretariado executivo da CPLP.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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