A filha de Santos, Welwitschia dos Santos, que diz não falar em nome da família, responde e diz que “se não sabem governar, demitam-se”.

Na quinta-feira, 10, na abertura do congresso da juventude do MPLA, Lourenço disse que pessoas envolvidas no desvio de fundos e que se encontram no estrangeiro “têm o descaramento de agora falarem em nome do povo”.

Sem mencionar nomes, o Presidente acrescentou que essas pessoas, que “não são estrangeiras”, mas angolanos “que se dizem militantes do MPLA” pagam jovens para desestabilizar o país.

Entretanto, nos círculos políticos a família de José Eduardo dos Santos foi a destinatária do discurso.

Em reacção, Welwitschia dos Santos, também conhecida por Tchizé dos Santos, afirma não poder falar em nome da família, mas diz haver uma clara manipulação da justiça.

Há uma “manipulação da informação da justiça para assassinar a minha imagem e meu carácter”, afirma em declarações à VOA.

A também deputada diz que estes discursos de João Lourenço visam desviar as atenções do povo pela falta de emprego e alimentação na mesa dos angolanos.

“Toda gente vê que os preços triplicaram desde 2017, em dois anos, agora querem tapar o sol com a peneira e dizer que é a Tchizé dos Santos que está a dar dinheiro aos jovens para se revoltar? Sou eu que estou no estômago da juventude para se revoltar? Não me usem como manobra de diversão”, pede, e vai mais longe: “Deixem-me de fora, se não estão a se sentir competentes para governar dimitam-se”, pede.

Tchizé acusa ainda João Lourenço de não ter razões para tais discursos pelo facto de seter ter mantido calado o tempo em que era secretário geral do MPLA e enquanto ministro da defesa por “se ter beneficiado do sistema”.

E cita nomes de pessoas como o antigo primeiro-ministro Marcolino Moco, entre outros, que “deram entrevista à Voz da América” e outros meios de comunicação a marcar a sua posição.

Entretanto, o jurista Manuel Pinheiro é de opinião que se a guerra de palavras continuar João Lourenço pode “recorrer a meios legais e retirar as imunidades de ex-Presidente a José Eduardo Santos.

Por seu lado, o jurista Pedro Kaprakata minimiza a situação e entende ser apenas uma “diversão dentro do MPLA com vista a elevar a siua imagem junto do eleitorado”.

“O objectivo é no próximo pleito eleitoral o MPLA obter um bom resultado ”, afirma.

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