No aeroporto de Mitiga, o único em funcionamento em Trípoli, os voos foram suspensos, após a queda de um engenho explosivo. No sul da capital houve novos combates entre as tropas do GNA, com sede na capital, e as do marechal Khalifa Haftar.

De acordo com testemunhas, ouviu-se uma explosão de rockets na região de Machru al-Hadhba, uma zona agrícola situada a cerca de 30 quilómetros, a sul, do centro de Trípoli. Outros engenhos explosivos alcançaram bairros residenciais e provocaram vários feridos, acrescentaram as mesmas fontes, ouvidas pela agência de notícias AFP.

Mustafa al-Mejii, porta-voz das forças do GNA, e oficialmente reconhecido pela ONU, confirmou à AFP os combates em curso nesta região. O porta-voz acusou as forças leais ao marechal Haftar de violar, novamente, a frágil trégua decretada a 12 de janeiro deste ano. "As milícias de Haftar tentaram avançar na região de Machru al-Hadhba, mas as nossas forças reprimiram o ataque", afirmou.

Apesar da trégua, há combates esporádicos perto de Trípoli, além de que continua a entrar armamento no país.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, pela primeira vez desde abril de 2019, quando começou a ofensiva de Haftar contra Trípoli, uma resolução pedindo um "cessar-fogo duradouro", após a trégua declarada em janeiro de 2020.

A resolução pede para que se continue as negociações da comissão militar conjunta, criada em janeiro. Este painel de negociações reúne os dois lados da contenda, com o objetivo de chegar a um "cessar-fogo permanente" que inclua um mecanismo de controlo, uma separação de forças e medidas de confiança.

Redigido por representantes do Reino Unido, o texto foi aprovado por 14 votos, entre um total de 15, sendo que a Rússia absteve-se.  O debate em torno do documento prolongou-se por mais de três semanas, tendo revelado as persistentes divisões no seio da comunidade internacional quanto ao conflito líbio, apesar de ter sido transmitida uma mensagem de confiança durante uma conferência que teve lugar em Berlim, a 19 de janeiro.

Os confrontos ao redor de Trípoli já provocaram mais de mil mortos, até o momento, sendo que, pelo menos, 140 mil pessoas foram forçadas a se deslocar, conforme números da ONU.

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