"As reformas em curso pecam por estarem acontecer apenas agora, pelo que se aplicadas antes, estaríamos hoje a beneficiar de uma economia mais sólida e sustentada. Estas não são reformas impostas pelo FMI, são uma consequência da apreciação errada, falsa, ilusória e enganadora de que o país gozava de uma saúde económica robusta", afirmou hoje na abertura da segunda reunião ordinária do comité central do MPLA.

Segundo o também presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975), caso se protelassem por mais tempo as reformas em curso no país, este caminharia "inevitavelmente para o precipício".

A reforma da estrutura da economia angolana, adiantou, é um processo "moroso que exige rigor e perseverança", mas, salientou, é um caminho "certo e incontornável a seguir em expressão do melhor o que está bem e corrigir o que está mal, no que a economia diz respeito".

"Não podíamos continuar a manter os paradigmas anteriores, cruzando os braços e deixar que as coisas continuassem na mesma", apontou, afirmando igualmente que o foco hoje é o de procurar tirar o país da situação de endividamento.

Para João Lourenço, a diversificação da economia, através do fomento do investimento privado e o desenvolvimento dos diferentes sectores da economia angolana como na agropecuária, das pescas, da indústria, do turismo, entre outros, podem representar "uma fatia cada mais significativa do PIB (Produto Interno Bruto) e das receitas das exportações".

A necessidade da criação de uma "verdadeira economia de mercado", onde o Estado deve "cumprir o papel que lhe está reservado" e o sector privado seja um actor "dinâmico, destacado e determinante na economia", foi também apontada pelo Presidente do MPLA.

"O Estado promove o sector privado, incentiva o desenvolvimento de fomento à iniciativa privada e contribui para o aumento da produção interna de bens e de serviços, o aumento das exportações da oferta do emprego", adiantou.

A materialização dessas pretensões exige mudanças, alertou João Lourenço, desde logo das "mentalidades, as atitudes e comportamentos", a começar pelos "militantes e dirigentes" do MPLA, que, acrescentou, "devem ser os primeiros a cultivar a crença e optimismo nas reformas em curso em Angola".

João Lourenço reiterou a "firmeza e determinação" do seu executivo em prosseguir com as medidas em curso, assegurando que continuará aberto às contribuições, conselhos e alertas de todos os sectores da sociedade, "não para recuar, mas para ajustar a rota sempre que se mostrar aconselhável para se alcançar os resultados pretendidos".

Resultados esses "já definidos", como "o aumento diversificado da produção interna, dos postos de trabalho, a melhoria das condições sociais das populações em termos de acesso à água potável, a energia eléctrica, a assistência médica, a educação e habitação", garantiu.

Maior proximidade do executivo ao sector privado foi ainda assegurando pelo Presidente angolano, referindo que será o primeiro a dar o exemplo para um maior diálogo com os empresários e visitas aos respectivos empreendimentos.

O Projecto do Plano Anual de Actividades e de Plano de Eventos do Partido e o Projeto de Orçamento Anual do MPLA para o ano de 2020, o Projecto de Relatório de Balanço da Comissão Nacional Preparatória do 8.º Congresso Extraordinário do partido e matérias relacionados à Comissão de Disciplina e Auditoria do Comité Central são alguns dos pontos em análise nessa reunião que decorre, no Centro de Conferências de Belas, em Luanda.

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