O Ramadão celebra-se no nono mês do calendário islâmico, é o quarto pilar do Islão e a maioria dos crentes muçulmanos jejuam durante um mês, do nascer ao pôr do sol, até à festa do Tabaski ou Eid-al-Kebir, que assinala o fim do Ramadão e coincide com a peregrinação a Meca, este ano anulada devido à pandemia de Covid-19.

O estado de emergência, decretado em vários países, entre os quais os cinco países africanos de língua oficial portuguesa, sendo que a Guiné-Bissau e Moçambique são os que têm mais crentes muçulmanos (apesar de haver mesquistas em todos), implica o recolher obrigatório e medidas de confinamento e de distanciamento social, como a suspensão de cerimónias religiosas de grupo e o encerramento de locais de culto.

Resta saber como os muçulmanos vão aplicar as medidas de precaução impostas nos diferentes países, pois diariamente o fim do jejum é celebrado em festa entre familiares e amigos, quer em casa, quer em espaços públicos, à volta mesa e com pratos típicos do momento.

Mas esta pandemia gerou uma grave crise económica mundial e agravou o aumento dos preços dos bens alimentícios e de primeira necessidade.

A OMS publicou a 15 de abril uma série de recomendações, no intuito de conciliar as práticas religiosas com a segurança e aconselhou todos os pacientes muçulmanos de Covid-19 a consultarem um médico, antes de iniciar o jejum.

Respeitar a lei dos homens ou invocar a protecção de Deus ? Um desadio para todas as religiões.

Em países como o Irão, um dos grandes focos da pandemia, mas também no Niger (um dos países mais pobres do mundo, com apenas 657 casos de Covid-19 e 20 óbitos), o encerramento das mesquitas e a proibição da orar colectivamente provocou tumultos violentos.

De recordar que a Páscoa cristã e judaica foi também celebrada com medidas de restrição e a imagem do Papa Francisco rezando sozinho na Praça S. Pedro, frente à basílica, marcará para sempre.

Mas se os católicos parecem globalmente aceitar o confinamento, o mesmo não se pode dizer dos evangelistas, dado que foi em reuniões de seitas evangélicas, que foram detectados os primeiros casos em França, em Mulhouse, mas também no Brasil e nos Estados Unidos.

Em Israel onde os judeus ultra-ortodoxos, que constituem 15% da população, representam 50% dos infectados com Covid-19.

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