Armindo de Brito Fernandes é o novo diretor-geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Natural de São Tomé e Príncipe, assumiu o cargo esta segunda-feira (10.02) numa cerimónia que contou com a presença do secretário executivo, Francisco Ribeiro Telles, e dos representantes permanentes da organização internacional.

Em entrevista à DW, o novo diretor-geral da CPLP explica que, entre outras matérias, vai trabalhar com os Estados-membros para a regularização das dívidas em atraso.

"Todos os países atravessam, nesta altura, uma conjuntura muito difícil e acho que, havendo vontade política, nós poderemos sempre ultrapassar as nossas dificuldades. Uma coisa é certa, é necessário que o Secretariado Executivo disponha de meios e condições para que possa cumprir com as suas atribuições. Portanto, eu estou seguro disso, haverá engajamentos dos Estados-membros para que essa situação se possa resolver", disse.

O embaixador são-tomense integra os quadros de carreira diplomática do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, onde assumiu até ao ano passado o cargo de coordenador do Gabinete de Apoio ao Ordenador Nacional do Fundo Europeu do Desenvolvimento de São Tomé e Príncipe, acumulando também experiências como gestor orçamental.

Entre 2011 e 2012, Armindo de Brito Fernandes coordenou o Gabinete Jurídico e de Tratados do referido Ministério e antes, de 2010 a 2011, foi também secretário-geral. Entre 2009 e 2010, foi diretor dos Assuntos Políticos e Económicos Internacionais.

"CPLP dos povos"

Atento à dimensão económica da CPLP, o diplomata reconhece que os desafios são enormes e exige o envolvimento dos Estados-membros.

No seu mandato de três anos, assume as prioridades definidas pela organização, nomeadamente no que toca à mobilidade e à definição do espaço a ocupar pelos observadores associados, cujo número continua a crescer.

"A mobilidade/circulação está num quadro bastante avançado. Acredito que, ainda este ano, na cimeira de Luanda, poderemos ter resultados mais palpáveis" nesta área, explica Armindo Fernandes, que frisa a importância da cooperação empresarial e económica. "Teremos todos que nos engajar neste exercício, porque acho que além da 'CPLP dos países', temos também que construir uma CPLP dos povos, dos empresários, das pessoas ligadas à cultura. Portanto, acredito que haverá dificuldades, mas o nosso empenho vai ajudar-nos a superar essas mesmas dificuldades".

O também exembaixador de São Tomé e Príncipe em Angola promete "trabalho árduo", "muita dedicação" e "compromisso firme com as causas, valores, princípios e objetivos da organização", com 24 anos de existência. Armindo Brito Fernandes admite que "é possível fazer mais e melhor, estabelecendo metas muito mais ambiciosas".

Entre outros cargos, Armindo Fernandes foi 1º Secretário e Encarregado de Negócios da Embaixada de São Tomé e Príncipe no Reino da Bélgica e chefe da Missão Diplomática do seu país junto à União Europeia e aos organismos do Sistema das Nações Unidas na Europa (1998-2003).

O embaixador são-tomense substitui a cabo-verdiana Georgina Benrós de Mello, que iniciou funções em fevereiro de 2014.

O Secretário Executivo da CPLP é auxiliado nas suas funções pelo diretor-geral, recrutado entre os cidadãos nacionais dos Estados-membros, mediante concurso público, pelo prazo de três anos, renovável por igual período.

por:João Carlos (Lisboa)

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