“Estamos abertos ao diálogo e à cooperação nas questões mais atuais da agenda internacional, como a criação de um sistema de segurança comum e confiável”, disse Vladimir Putin, dirigindo-se aos líderes estrangeiros e militares veteranos convidados para o desfile, onde participam mais de 14.000 soldados russos e de outros países.

Naquela que foi a única referência ao mundo contemporâneo do seu discurso, Putin admitiu ser “importante fortalecer a amizade, a confiança entre os povos e a abertura de um diálogo e de cooperação sobre questões atuais”.

Putin, que teve de adiar a tradicional parada da vitória, comemorada em 9 de maio, devido à pandemia do novo coronavírus, sublinhou que esse sistema de segurança é necessário para “um mundo complexo e que está a mudar rapidamente”.

“Só juntos podemos defendê-lo (ao mundo) de ameaças novas e perigosas”, proclamou.

O líder russo, que pediu um minuto de silêncio em memória dos mortos na batalha conhecida na Rússia como a Grande Guerra Patriótica, sublinhou que o Exército Vermelho foi o fator chave da derrota de Hitler.

“Devemos lembrar-nos que o povo soviético assumiu o maior fardo na luta contra o nazismo, essa é a verdade mais importante, sincera e clara sobre a guerra”, disse Putin, referindo que Hitler enviou para a URSS, em 1941, mais de 80% das suas forças militares e dos países que eram seus satélites.

Além de expulsar o invasor, destacou, o Exército Vermelho “libertou a Europa, pôs fim ao Holocausto e salvou o povo alemão da ideologia assassina do nazismo”, conquistas que custaram aos soviéticos um “preço incalculável”, já que milhares de soldados caíram em território estrangeiro.

“É impossível imaginar o que teria acontecido ao mundo se o Exército Vermelho não o tivesse defendido”, adiantou perante milhares de militares vestidos com fardas de cerimónia, mas sem máscara.

Putin lembrou ainda que a primeira parada da vitória ocorreu precisamente em 24 de junho de 1945, um ato que entrou na história como o triunfo do “bem sobre o mal, da paz sobre a guerra e da vida sobre a morte”.

O discurso de Putin acontece poucos dias antes de um referendo constitucional, que pretende permitir ao Presidente permanecer no poder até 2036, tendo sido muito virado para o patriotismo, acusando o Ocidente de querer minimizar o papel soviético na derrota dos nazis.

O desfile militar, durante o qual são exibidos homens, tanques, mísseis, sistemas antiaéreos e aviões, é uma oportunidade para comemorar o fim da Segunda Guerra Mundial, mas também para ilustrar o regresso do poder político e militar russo à cena internacional, que passa pela anexação da Crimeia ucraniana e pela guerra na Síria.

Com exceção do Presidente sérvio, Aleksandar Vucic, apenas os líderes do espaço pós-soviético, incluindo os presidentes do Cazaquistão, Uzbequistão e Bielorrússia, participam do desfile.

Putin convidou os principais líderes mundiais, incluindo dos de países derrotados na guerra – Alemanha e Japão -, para a parada de 9 de maio, mas a pandemia da COVID-19 frustrou os seus planos.

Estima-se que 27 milhões de soviéticos morreram na guerra, no campo de batalha ou como vítimas civis, facto que se tornou um valor fundamental para a identidade nacional da Rússia.

Putin não mencionou a pandemia de COVID-19 no seu discurso, reforçando tacitamente sua alegação de que a Rússia já ultrapassou o estágio mais perigoso da pandemia.

A Rússia registou mais de 7.000 novos casos diários de infeção nas ultimas 24 horas e tem o terceiro maior número confirmado de infetados pelo novo coronavirus do mundo, depois dos Estados Unidos e do Brasil.

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