Na sequência de um encontro com o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), realizado no parlamento, em Bissau, nesta quinta-feira (21.05), formações políticas guineenses mantiveram a posição de agirem em conjunto.

O Partido da Renovação Social (PRS) disse que não tem condições de estabelecer acordos com outros partidos.

"O PRS assinou um acordo de incidência parlamentar com o Madem-G15 [Movimento para a Alternância Democrática] e a APU [Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau]. O PRS não tem condições de estabelecer um acordo com outro partido neste momento", afirmou Certório Biote, vice-presidente do partido.

"Mas o acordo que assinámos está aberto a outros partidos políticos", acrescentou.

Proposta "incongruente"

Já o Movimento para a Alternância Democrática da Guiné-Bissau (MADEM-G15) considerou incongruente a proposta do PAIGC para resolver a crise política no país.

"O MADEM-G15 considera que essa proposta de entendimento é incongruente, tem um problema de coerência e não pode contribuir para a busca de uma solução airosa para a crise política na Guiné-Bissau", afirmou Aristides Ocante da Silva, dirigente do Madem-G15.

"Estivemos abertos para participar neste encontro e estamos dispostos a participar e tomar parte em qualquer iniciativa que cristalize energias positivas em busca de uma solução política para a Guiné-Bissau", afirmou Ocante da Silva.

O dirigente do MADEM-G15 explicou aos jornalistas que o PAIGC apresentou dois elementos fundamentais, nomeadamente a participação num Governo de base alargada dirigido pelo PAIGC e o estabelecimento de um memorando de entendimento.

Para Aristides Ocante da Silva, é preciso não esquecer que há uma "nova realidade política" no país, referindo-se ao acordo de incidência parlamentar assinado entre o MADEM-G15, a APU-PDGB e o PRS.

"É aberrante, perdendo a maioria, pretender que devem chefiar o Governo de base alargada", afirmou Ocante da Silva.

Questionado pelos jornalistas sobre a formação do novo Governo, o dirigente político disse que o "novo primeiro-ministro deve sair da nova maioria parlamentar".

"Portanto, não houve um entendimento quanto à saída desta crise", disse.

Maioria parlamentar

O líder da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau, Nuno Nabian, disse que há uma nova maioria no país e pediu a reabertura do parlamento para o demonstrar, com a aprovação do programa de Governo.

Nuno Nabian, que é também primeiro-ministro da Guiné-Bissau, nomeado pelo Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, reforçou que "há uma nova maioria. A nossa posição foi clara. Disse que a APU não tem nada a ver com o PAIGC. O acordo foi rompido e a APU está em outro acordo”.

Segundo Nuno Nabian, agora é preciso a Assembleia Nacional Popular, parlamento do país, "abrir para que o Governo mostre que tem de facto a maioria necessária para aprovar o seu programa”.

Questionado sobre os deputados eleitos pela APU-PDGB que continuam fiéis ao acordo com o PAIGC, Nuno Nabian disse que os acordos não são assinados por deputados.

"A direção da APU conscientemente rompeu o acordo com o PAIGC e assinou com outras duas formações políticas e cabe ao Presidente da República tomar as decisões”, disse.

Dissidentes

Entretanto, o quinto vice-presidente da APU-PDGB, Batista Té, disse que quatro dos cinco deputados do partido continuam vinculados ao acordo com o PAIGC.

Em resposta a questões colocadas pelos jornalistas sobre qual a posição dos deputados em relação aos dois acordos assinados pelo partido com várias formações partidárias, Batista Té disse que os deputados continuam a apoiar o acordo "assinado pela direção do partido".

"Este último acordo foi assinado por uma pessoa em nome do partido", disse, referindo-se ao acordo de incidência parlamentar assinado pelo presidente da APU-PDG, Nuno Nabian, com o MADEM-G15 e o PRS.

Batista Té ressalvou que é preciso haver unidade no país, sem exclusão de ninguém, mas que a APU-PDGB se revê "sempre no primeiro acordo assinado com o PAIGC" e está de acordo com o "comunicado da CEDEAO, que recomenda a que todos respeitem as leis da Guiné-Bissau".

"Deixamos a nossa posição ao PAIGC em como concordamos com a posição que defendem; sendo eles os vencedores das eleições, devem procurar uma solução de governo com todos os partidos, mas com eles na liderança", disse.

Missão cumprida

A vice-presidente do PAIGC, Odete Semedo, disse que não foi pedido ao partido para formar um Governo, mas encontrar uma solução para a situação política na Guiné-Bissau.

"Nós fomos recebidos no Palácio da República e o que nos foi pedido foi a nossa participação, o nosso apoio na busca de uma solução", afirmou Odete Semedo, quando questionada se o PAIGC estava com dificuldade em formar Governo.

Segundo Odete Semedo, para o partido, que venceu as legislativas de 2019, encontrar uma solução passa por "escutar todos os partidos com assento parlamentar e apresentar a solução de um Governo de base alargada".

"Nós poderíamos simplesmente dizer que ganhámos eleições, nós temos uma maioria confortável no parlamento então nós vamos simplesmente solicitar que o nosso Governo seja reposto. Não fizemos isso, atendendo que há outros cenários que se afiguram e, por isso, adaptamo-nos a esta nova situação", disse.

Para a vice-presidente do PAIGC, compete a quem está no Palácio da República responder à CEDEAO, que instou a nomeação de um novo Governo, que respeite os resultados eleitorais das legislativas, até a sexta-feira.

"A nós foi-nos pedido no dia 19 para apresentarmos um apoio na busca de solução, fizemos esse trabalho e vamos dar continuidade nas horas seguintes para termos um documento pronto e enviar a quem nos solicita", adiantou.

por: Agência Lusa, cvt

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