O Presidente angolano, João Lourenço, viaja hoje para a estância balnear russa no Mar Negro, mas o seu homólogo moçambicano, Filipe Nyusi, já lá se encontra desde segunda-feira, tendo recebido à sua chegada as felicitações do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo pelo resultado nas eleições de 15 de outubro.

Os resultados parciais divulgados até agora apontam para uma vitória de Nyusi e da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), mas são contestados pelos dois maiores partidos da oposição, assim como por numerosas organizações da sociedade civil.

"Moscovo congratula-se com o êxito de um acontecimento político tão importante na vida de Moçambique. Assumimos que mais um passo significativo foi dado para fazer avançar a sociedade moçambicana rumo à estabilidade política e ao desenvolvimento socioeconómico”, divulgou o ministério russo.

Falando momentos após a chegada do Presidente de Moçambique à Rússia hoje, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, José Pacheco, disse que a Cimeira Rússia-África vai privilegiar a paz e sustentabilidade económica, num evento em que os países africanos vão tentar aproveitar para procurar mais investimentos estrangeiros para os seus países.

“Trata-se de um encontro que vai destacar os desafios globais, que têm como agendas principais primeiro a paz e, segundo, a sustentabilidade económica dos nossos estados, através de investimentos privados, por um lado, e através das trocas comerciais, por outro”, disse o chefe da diplomacia moçambicana.

O Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, e o chefe da diplomacia, Luís Filipe Tavares, chegam na quarta-feira a Sochi provenientes do Japão, onde assistem hoje à entronização do novo imperador, Naruhito.

São Tomé e Príncipe faz-se representar pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Elsa Pinto, que representará o Presidente são-tomense, Evaristo Carvalho, na cimeira.

João Lourenço viaja pela segunda vez este ano para a Rússia, mais uma vez com vários acordos previstos na agenda. “Constam da missão presidencial em território russo a assinatura de acordos bilaterais em diversos domínios, como o da formação de quadros e a implementação de uma indústria de fertilizantes em Angola”, adianta uma nota da Casa Civil do Presidente angolano.

Na Cimeira Rússia-África que vai decorrer em Sochi, João Lourenço vai intervir na sessão reservada às alocações dos líderes convidados, na quarta-feira e, no dia seguinte, terá um encontro formal com Putin para avaliar “o estado das relações bilaterais” e debater “temas contemporâneos”.

O chefe do executivo angolano vai ter também audiências com personalidades do universo político, social e económico da Rússia, incluindo dirigentes de bancos, de empresas industriais e agrícolas e produtoras de minérios preciosos como diamantes.

Em Abril, João Lourenço deslocou-se a Moscovo para uma visita oficial de quatro dias, a convite do homólogo russo, com o objectivo de alargar a cooperação bilateral.

A acompanhar João Lourenço estarão os ministros da Economia e Planeamento; Relações Exteriores; Agricultura e Florestas; do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação e dos Recursos Minerais e Petróleos.

Filipe Nyusi fez-se também acompanhar pelo chefe da diplomacia moçambicana, José Pacheco, assim como pelo ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, pelo vice-ministro dos Recursos Minerais e Energia, Augusto Fernando e por vários quadros da Casa Civil do Presidente e de outras instituições do Estado, de acordo com um comunicado da Presidência moçambicana.

Nyusi participará no Fórum de Negócios Rússia-África, que se realiza à margem da cimeira, e receberá em audiência vários empresários russos.

A Lusa tentou confirmar quem representa a Guiné-Bissau, mas não foi possível até ao momento.

O país está a viver um novo clima de instabilidade depois de o primeiro-ministro, Aristides Gomes, ter denunciado na segunda-feira uma alegada tentativa de golpe de Estado e ter acusado directamente Umaro Sissoco Embaló, candidato às eleições presidenciais marcadas para 24 de novembro apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15).

O Presidente guineense, José Mário Vaz, cancelou a agenda prevista para hoje.

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