O chefe de Estado angolano falava hoje à imprensa no final de uma visita que realizou à fábrica de produção têxtil “Textang II”, em Luanda, um investimento público de cerca de 251 milhões de dólares (232 milhões de euros), incluído no programa de privatizações que o Governo está a levar a cabo.

Segundo João Lourenço, é preciso criar condições para pôr esta unidade fabril, “que é estratégica”, ao serviço da economia, salientando que “esta visita só peca por ser tardia, devia ter sido realizada muito antes”.

A Textang II integra um bloco com outras duas unidades fabris ligadas ao sector têxtil, nomeadamente a África Têxtil, um investimento de 420 milhões de dólares (388,2 milhões de euros), localizada em Benguela, e a SATC, com o mesmo valor, localizada no município do Dondo, província do Cuanza Norte.

“Com relação a estas três unidades fabris, do Cazenga, Benguela e Dondo, a orientação é privatizar, mas se tivermos em conta o interesse público, vamos ter de chegar na privatização em duas etapas”, disse João Lourenço.

O Presidente angolano frisou que o objectivo será “abrir um concurso público para se encontrar gestores para estas unidades, que continuarão no setor público, enquanto não se conclui o processo de privatização”.

“Como a privatização é um pouco mais morosa, é um crime deixar estas unidades paradas no estado em que estão”, disse.

O Presidente angolano apontou a necessidade de se dar emprego aos angolanos e à juventude, em particular: “os sectores que têm a ver com isto que comecem a trabalhar no processo de contratação pela via que a lei orienta”, exortou.

“Não interessa se são nacionais ou estrangeiras, que ponham estas três unidades a funcionar o mais rapidamente possível”, realçou.

Para o Presidente angolano, “é incompreensível que unidades que existem há cerca de sete anos trabalhem exclusivamente com geradores”.

“Os geradores devem ser fontes de alternativa. Em cidades como Luanda e Benguela, mesmo o Dondo, não faz sentido algum que unidades desta dimensão, desta importância, trabalhem exclusivamente com geradores”, disse.

Sobre o arresto das fábricas em Junho de 2019, João Lourenço disse que o caso está na justiça, esperando-se que a mesma faça o seu trabalho.

“O arresto é sempre um primeiro passo, que pode evoluir para um processo-crime”, disse.

Em 2019, a Procuradoria-Geral da República identificou sete empresas criadas com financiamentos do Estado, que ainda não foram reembolsados, tendo sido determinado o arresto de três delas.

A PGR referiu que as empresas Fábrica de Tecidos (Mahinajethu – Satc), localizada no Dondo, a Fábrica Têxtil de Benguela (Alassola – África Têxtil) e a Nova Textang II, em Luanda, tinham como últimos beneficiários, entre outros, Joaquim David, antigo director-geral da Sonangol, ministro da Indústria, das Finanças e da Geologia e Minas, atualmente deputado à Assembleia Nacional, além de Tambwe Mukaz, José Manuel Quintamba de Matos Cardoso, e sócios constantes dos pactos sociais.

Em declarações hoje à imprensa, o secretário de Estado da Indústria, Ivan Prado, disse que o processo de privatização dessas indústrias, em 2013, foi ilegal, na medida em que o Ministério da Indústria, através do Instituto de Desenvolvimento Industrial de Angola (IDIA), não tinha competência para conduzir o processo, devido ao volume de investimento e à sua dimensão.

“Seria competência do titular do poder executivo. Foi ilegal. Houve um arresto e temos orientação clara, no sentido de pôr a funcionar através de um processo legal”, disse.

Através de uma linha de crédito do Japan Bank Internacional Cooperation foram disponibilizados para a reactivação das três unidades fabris 1.011,2 milhões de dólares (895,9 milhões de euros), um financiamento que está a ser pago pelo Estado angolano.

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