Suspeito de «crimes contra a Humanidade e de crimes de guerra, incluindo assassínios, desaparecimentos forçados, perseguição e tortura», o Presidente do Kosovo é alvo ao todo de 10 acusações. Igualmente colocados no banco dos réus estão 9 ex-combatentes Kosovares, assim como Kadri Veseli, ex-chefe das secretas do país, actualmente deputado e dirigente do Partido Democrático do Kosovo (PDK).

Ao todo, os suspeitos são acusados de serem penalmente responsáveis de cerca de 100 homicídios de kosovares albaneses, sérvios e membros de outras comunidades, ocorridos entre Janeiro de 1998 e Dezembro do ano 2000, durante e depois de um conflito que provocou mais de 13 mil mortos.

O acto de acusação entregue aos juízes no 24 de Abril e mantido secreto até ontem, deve ainda ser examinado para a sua validação ou indeferimento por uma câmara do Tribunal até ao dia 24 de Outubro.

Habitualmente, nesta fase do processo, opta-se por preservar o sigilo, mas o Procurador tornou públicas as acusações, apesar de ainda não ter nenhum parecer dos juízes, por recear interferências. Com efeito, no seu comunicado, a acusação menciona «repetidos esforços por parte de Hashim Thaçi e de Kadri Veseli para obstruir o trabalho» do tribunal «para não comparecerem perante a justiça».

Oficialmente criado em 2015 para investigar os crimes alegadamente cometidos pela guerrilha independentista kosovar albanesa contra opositores e comunidades rivais durante e depois da guerra do Kosovo, o Tribunal especial dá continuidade a investigações encetadas já em 2011 sobre os presumíveis crimes do actual Presidente do Kosovo e do antigo chefe das secretas kosovares, suspeitos de se terem igualmente dedicado no passado a actividades de tipo mafioso, como por exemplo o trafico de órgãos humanos, armas e droga.

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