De acordo com o discurso publicado este sábado, a 7 de Janeiro, durante uma reunião do Comité Permanente do Politburo -o órgão mais poderoso da política chinesa – o Presidente Xi Jinping deu ordens para a execução de medidas para a prevenção de infecções pelo novo coronavírus. No discurso, o Presidente chinês diz que autorizou uma quarentena sem precedentes em Wuhan a partir de 23 de Janeiro.

Porém, foi só a 20 de Janeiro que o Presidente chinês falou publicamente da nova doença e que as autoridades chinesas reconheceram a existência da epidemia na cidade de Wuhan. Nessa altura, o novo tipo de coronavírus já se tinha espalhado para outras cidades chinesas e para outros países. Foi também nesse dia que as autoridades de Pequim confirmaram que o vírus Covid-19 se transmite entre humanos.

Ainda que a informação pretendesse mostrar que o Presidente Xi Jingping está a lutar contra o coronavírus desde o início, acabou por revelar que ele estaria a par da dimensão da epidemia muito antes de alertar a população chinesa e mundial.

Poucas horas depois da divulgação do discurso, a China anunciou uma queda nos novos casos pelo terceiro dia consecutivo. Ainda assim, a notícia do discurso pode aumentar o descontentamento social inédito na China de Xi Jingping que começou a apontar o dedo ao poder central desde a morte do médico que alertou em Dezembro para o perigo do coronavírus. Li Wenliang tinha sido detido por “espalhar rumores” e tinha sido forçado a assinar um documento a desdizer-se, tendo também acabado por sucumbir ao vírus.

O último balanço divulgado este domingo pelas autoridades chinesas revela que morreram 1665 pessoas na China continental desde o início da epidemia e que há 68.500 pessoas contaminadas. A maior parte das mortes aconteceu na província de Hubei, onde 56 milhões de habitantes estão isolados do mundo desde 23 de Janeiro. A primeira morte fora da Ásia – e primeira na Europa – aconteceu na sexta-feira, em França, com um turista chinês de 80 anos.

O novo tipo de coronavírus foi assinalado em cerca de 30 países e na sexta-feira registou-se o primeiro caso em África, nomeadamente no Egipto. Fora da China continental, apenas foram registadas quatro mortes: em Hong Kong, no Japão, nas Filipinas e em França.

Neste momento, o principal foco de infecção fora da China continua a ser o navio de cruzeiro Diamond Princess que permanece em quarentena ao largo do porto japonês de Yokohama. A bordo, foram confirmados 355 casos de infecção num total de 3.711 passageiros, mas apenas um terço fez exames. Preocupados com a rápida propagação do vírus, o Canadá, os Estados Unidos, a Coreia do Sul e Hong Kong decidiram repatriar os seus cidadãos do barco.

Entretanto, o Japão informou que 53 pessoas estão infectadas em diferentes regiões do país e especialistas alertaram que “pessoas infectadas podem aparecer em qualquer lugar no Japão”, recomendando aos habitantes todas as precauções como, por exemplo, lavar as mãos com frequência, usar máscaras e desinfectar objectos.

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