Sissoco Embaló fez esta revelação em conferência de imprensa no Palácio da República, em Bissau, ao fazer o balanço dos primeiros 100 dias do seu mandato, durante a qual anunciou medidas e propostas para mudar a Guiné-Bissau nos próximos tempos.

“Se Domingos Simões Pereira não tivesse mudado de comportamento era hoje o meu primeiro-ministro, mas ainda bem que não o nomeei, mas também não me arrependo de ter nomeado Nuno Nabian primeiro-ministro”, declarou Embaló.

O Presidente guineense lembrou que logo depois de a Comissão Nacional de Eleições (CNE) o ter declarado vencedor das presidenciais, recebeu um telefonema de Domingos Simões Pereira que o felicitou, mas que surpreendentemente viria a mudar de postura em relação à sua vitória, disse.

Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), não reconheceu os resultados das presidenciais, alegando irregularidades, e apresentou um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça, que até hoje não tomou qualquer decisão.

Umaro Sissoco Embaló disse não ter nada de pessoal contra Domingos Simões Pereira e que este também o trata “com muito cuidado, por saber” que é o chefe de Estado eleito pelo povo guineense, notou.

“Não sou homem de violência, sou, isso sim, um pacifista por natureza”, observou o Presidente guineense.

Embaló disse defender a concórdia entre os guineenses, independentemente das pretensões políticas de cada um, e sublinhou que é o Presidente de todos, mas que é pela ordem e disciplina no país.

O Presidente guineense afirmou que não vai criar nenhuma Comissão de Reconciliação Nacional, como fizeram vários dos seus antecessores no cargo, que apenas irá promover valores como o respeito pela diferença entre os cidadãos e igualdade de oportunidade para todos.

Nesse aspeto, anunciou a reintrodução do Serviço Militar Obrigatório para que todos os cidadãos aptos e com o mínimo de 12.º ano de escolaridade sirvam as Forças de Defesa e Segurança.

O Presidente lembrou que só se alistou nas Forças Armadas quando concluiu aquele grau de escolaridade.

Umaro Sissoco Embaló autoproclamou-se Presidente da Guiné-Bissau em fevereiro e acabou por ser reconhecido como vencedor das eleições, realizadas em dezembro do ano passado, pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, que tem mediado a crise política da ONU, e restantes parceiros internacionais.

Após ter tomado posse, o chefe de Estado demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes, saído das eleições legislativas de 2019 ganhas pelo PAIGC, e nomeou um outro liderado por Nuno Nabiam, líder da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que assumiu o poder com o apoio das forças armadas do país, que ocuparam as instituições de Estado.

O PAIGC venceu as legislativas de março de 2019 sem maioria e fez um acordo de incidência parlamentar com a APU-PDGB, Partido da Nova Democracia e União para a Mudança, obtendo 54 dos 102 assentos no parlamento.

Logo no início da legislatura, o líder da APU-PDGB, Nuno Nabian, incompatibilizou-se com o PAIGC e aliou-se ao Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), segunda força política do país, com 27 deputados, e Partido da Renovação Social, que elegeu 21 deputados.

Apesar da nova aliança, quatro dos cinco deputados da APU-PDGB mantiveram a sua lealdade ao acordo de incidência parlamentar assinado com o PAIGC.

Na semana passada, Nuno Nabian conseguiu aprovar o seu programa de Governo no parlamento guineense com os votos a favor de cinco deputados do PAIGC, que contrariam a decisão do partido e participaram na sessão plenária.

Os restantes deputados do PAIGC regressaram ao parlamento para anunciar que o partido vai entrar com uma impugnação judicial à aprovação do programa de Governo do primeiro-ministro, Nuno Nabian, alegando “violações grotescas” ao regimento da Assembleia Nacional Popular.

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