João Lourenço falava em conferência de imprensa, em Lisboa, no final da visita de Estado de três dias que realizou a Portugal, tendo sido questionado pela Lusa sobre o que espera em concreto do apoio do Governo português a este processo.

“Quanto aos passos concretos que o Governo português dará (…) penso que é cedo para dizer”, afirmou.

Ainda assim, sublinhou, “o simples facto” de o primeiro-ministro português, António Costa, “ter anunciado publicamente de que há essa predisposição das autoridades portuguesas a colaborem no processo de repatriamento (…) já é satisfatório”.

“Já é muito bom”, apontou João Lourenço, antes de recordar que se trata de “fortunas e não apenas dinheiro”, com origem em Angola, que “estarão espalhadas pelo mundo fora”.

“Muito provavelmente, para além de Portugal, obviamente, em locais nunca antes imaginados. É nossa obrigação, com os meios de que qualquer Estado dispõe, e com os contactos que deve fazer com outros Estados, tentar localizar essas mesmas fortunas. Estará eventualmente em Portugal, mas também em muitos outros países”, afirmou.

O primeiro-ministro português, António Costa, afirmou na sexta-feira, no Porto, que Portugal vai colaborar com Angola no repatriamento de capitais ilicitamente transferidos para o exterior, defendendo que o “dinheiro que pertence a Angola, a Angola seja contabilizado”.

“Da parte de Portugal, como não poderia deixar de ser, daremos toda a colaboração às autoridades angolanas, tendo em vista apoiá-las na prioridade que definiram do combate à corrupção, promoção de concorrência leal e recuperação de capitais que estejam indevidamente titulados”, afirmou Costa, numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente da República de Angola.

António Costa referiu, quando questionado sobre o repatriamento de capitais para Angola, que da parte do Estado angolano “há vontade” para que o processo se desenvolva sem pôr em causa a estabilidade do sistema financeiro português.

Mais do que saber onde estão localizados os depósitos, o importante é saber em nome de quem estão titulados, vincou o primeiro-ministro.

A Assembleia Nacional angolana aprovou na quarta-feira, com voto o favorável da oposição, a proposta de Lei sobre o Repatriamento Coercivo e Perda Alargada de Bens, permitindo o confisco de “bens incongruentes domiciliados no exterior do país”.

Esta visita de Estado de três dias é também a primeira do género de um Presidente angolano a Portugal desde 2009, e envolveu a assinatura de 13 acordos entre os dois Governos, tendo João Lourenço anunciado ainda que o chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, visitará Angola em 2019.

Durante a visita, João Lourenço disse antever "um futuro promissor" nas relações entre Portugal e Angola, e prometeu um “clima desanuviado” nas relações entre Luanda e Lisboa.

A visita de Estado termina hoje e o Presidente angolano regressa a Luanda no domingo.

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