Antes das 10:00 (mesma hora em Lisboa), a unidade hoteleira onde decorreu a cerimónia já estava repleta de apoiantes, convidados e comunicação social nacional e internacional.

O espaço acabou por se revelar pequeno e muito quente, devido a uma avaria do ar condicionado, para todos os que quiseram assistir, estando as janelas da sala, que acabaram por ser abertas, repletas de apoiantes com telemóveis em punho a transmitir a cerimónia.

Apesar da ausência de representantes dos principais parceiros internacionais da Guiné-Bissau, estiveram presentes os embaixadores da Gâmbia e do Senegal, bem como vários líderes políticos guineenses e antigos dirigentes, incluindo Carlos Gomes Júnior, e o ex-presidente do parlamento Raimundo Pereira.

O Supremo Tribunal de Justiça e o Governo também não se fizeram representar, bem como os partidos da coligação no Governo, incluindo o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

O presidente do PAIGC e candidato às presidenciais de 29 de dezembro no país interpôs um recurso de contencioso eleitoral junto do Supremo Tribunal de Justiça, alegando várias irregularidades no processo, que ainda está a ser analisado por aquela instância judicial, que no país tem também a função de tribunal eleitoral.

O primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, considerou hoje que a tomada de posse simbólica é “uma atitude de guerra” e que o Governo não obedecerá a uma autoridade ilegítima.

O presidente do parlamento guineense, Cipriano Cassamá, que conforme a lei do país é quem indigita o Presidente eleito, demarcou-se da cerimónia, alegando aguardar pela decisão do Supremo Tribunal de Justiça ao recurso interposto.

“Juro por minha honra defender a Constituição e as leis, a independência e a unidade nacionais, dedicar a minha inteligência e as minhas energias ao serviço do povo da Guiné-Bissau, cumprindo com total fidelidade os deveres da alta função para que fui eleito”, afirmou Umaro Sissoco Embaló, com o braço direito levantado, assinando depois o termo de posse.

De seguida, Sissoco Embaló foi indigitado pelo primeiro vice-presidente do parlamento, Nuno Nabian, que lhe colocou uma faixa perante os aplausos de uma assistência bastante animada.

Um curto discurso de Umaro Sissoco Embaló pôs fim à cerimónia, que durou cerca de duas horas.

A seguir à cerimónia, Sissoco Embaló, já com a faixa presidencial, seguiu, acompanhado pelo Presidente cessante, José Mário Vaz, para o palácio da presidência, no centro de Bissau.

Já na presidência, foi feita uma nova cerimónia de transferência de poderes, após a qual o Presidente cessante abandonou o Palácio Presidencial, juntamente com a sua mulher, onde milhares de apoiantes de Embaló festejaram.

“Estou contente, porque assim o país vai avançar. Vamos começar as aulas, tudo vai mudar”, afirmou Amina Tá, 20 anos, uma das apoiantes que se encontrava na Praça dos Heróis Nacionais, situada em frente ao palácio, no centro de Bissau.

A mesma opinião foi transmitida à Lusa por Fatumata Cassamá, que afirmou que com o “Sissoco na presidência tudo vai mudar”.

“É o Presidente de consenso, de unidade nacional e vai unir os guineenses e levar o país rumo ao desenvolvimento”, disse Seco Indjai.

Seco Indjai afirmou também que a Guiné-Bissau não precisa de apoio estrangeiro, porque tem tudo o que precisa para se desenvolver, mas sublinhou que, passados mais de 40 anos, “tudo o que é feito no país é por estrangeiros e organizações não-governamentais”.

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