João Lourenço discursava esta noite, em Lisboa, no jantar oficial oferecido pelo Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, no primeiro dia da visita de Estado do chefe de Estado angolano a Portugal, momento que serviu para voltar a sublinhar o nível das relações entre os dois países.

“Sairemos de Portugal com a convicção de que existe vontade política recíproca e interesse e empenho dos nossos empresários, dos nossos cidadãos, em construirmos uma relação exemplar, uma verdadeira parceria estratégica”, afirmou.

O Presidente angolano referiu, igualmente, que “as reformas que se operam em Angola, nesta nova era de maior abertura política e económica”, bem como de “moralização da sociedade”, que diz pretender instituir no país, Portugal terá um papel de destaque.

“Surge como um dos parceiros com quem mais gostaríamos de aprofundar e consolidar as nossas relações, não apenas pelas facilidades de compreensão e diálogo que a língua comum propicia, mas também porque estão perfeitamente identificados os domínios em que os nossos interesses políticos e económicos se complementam e potenciam”, sublinhou.

João Lourenço encontra-se em Portugal, na sua primeira visita de Estado ao país, a convite do homólogo português, deslocação que o próprio Presidente angolano classificou, na sua intervenção, como “oportuna e decisiva para o reforço das excelentes relações de amizade, solidariedade e cooperação” que, destacou, “sempre existiram” entre os “dois povos e países”.

“Viemos testemunhar e confirmar o quão fortes são as relações de amizade entre os nossos povos e países, a julgar pela forma calorosa e hospitaleira como fomos recebidos, quer da parte das autoridades constituídas, como do povo português, que nos tem brindado com profundos gestos de afeto e irmandade, sentimento que é recíproco e que assenta em séculos de convívio fraternal”, enfatizou o Presidente angolano.

A propósito do passado colonial de 500 anos, João Lourenço fez questão de sublinhar na sua intervenção que, ao longo da história comum, “nunca o povo angolano confundiu o povo português com aqueles que a ambos oprimiam” e que foi “comum e solidária” a “luta contra o mesmo opressor, o colonialismo e fascismo português”.

“Juntos lutámos, juntos vencemos, juntos estamos a construir um destino comum pela democracia, pelo desenvolvimento económico e social de nossos países, pela liberdade e bem-estar de nossos povos”, apontou, perante os membros das delegações portuguesa e angolana, incluindo o primeiro-ministro de Portugal, António Costa.

João Lourenço acrescentou que Angola e Portugal “estão em perfeita sintonia” em relação “aos grandes temas da atualidade internacional” e manifestou a convicção de que as duas “vozes” juntas prestarão um “contributo para que as novas e futuras gerações possam herdar um mundo melhor, mais justo e seguro”.