“A Polícia de Hong Kong estudou os riscos e acredita que alguns participantes na assembleia e na marcha pública podiam abandonar o percurso autorizado e vandalizar edifícios”, informou, na sua página do Facebook, a Frente Civil dos Direitos Humanos (FCDH), grupo pró-democracia que organiza a manifestação.

É a primeira vez nos últimos 17 anos que a manifestação é proibida pelas autoridades, que invocaram episódios recentes de violência neste tipo de protestos.

Por outro lado, a Polícia de Hong Kong, em carta dirigida à FCDH, avisa que a manifestação violaria as regras impostas por Pequim de contenção da pandemia covid-19, que impedem a reunião em espaços públicos de mais de 50 pessoas.

As autoridades policiais acrescentam ainda que a FCDH “não tem capacidade” para controlar eventuais atos de violência praticados por manifestantes.

“É de admitir que esses atos de violência iriam ameaçar a segurança de outros participantes, cidadãos, jornalistas e agentes de polícia”, referem.

A Polícia de Hong Kong já tinha usado argumentos semelhantes para proibir, pela primeira vez nos últimos 30 anos, a vigília anual que assinala o massacre de Tianamen. Muita gente, no entanto, acabou por não acatar estas ordens, não se tendo verificado atos de violência ou outros incidentes.

A líder do Governo da região administrativa, Carrie Lam, tem negado sistematicamente que existam motivações políticas por detrás destas proibições, invocando a necessidade de manter as regras de distanciamento social por causa da covid-19.

No último ano, a situação em Hong Kong deteriorou-se muito, em parte devido ao impacto na economia dos protestos pró-democracia.

O Produto Interno Bruto caiu 2,8% e 3% nos dois últimos trimestres de 2019 e quase 9% nos primeiros três meses deste ano, situação agravada pela crise da pandemia covid-19.

RBF // MAD

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