“O Plague Inc. está no ar há oito anos, e toda vez que há um surto de alguma doença, vemos um aumento de jogadores.”

A frase é da empresa de games Ndemic Creations, sediada no Reino Unido, que resolveu publicar um posicionamento no último dia 23 diante do surto de um novo tipo de coronavírus, detectado pela primeira vez em Wuhan, China.

É que o principal carro chefe da empresa, o Plague Inc., tem como mote fazer o jogador espalhar uma doença infecciosa e mortal pelo mundo — o usuário pode escolher entre alastrar um vírus, uma bactéria, um fungo e outros.

O jogador também deve desviar-se de ações de governos e da comunidade internacional para conter a doença, transformando-a em uma pandemia global antes que a comunidade científica possa desenvolver a cura. Eles podem escolher sintomas, formas de transmissão e grau de letalidade do agente infeccioso. Em última instância, devem extinguir os humanos do planeta.

Com o surto atual — e real — do novo tipo de coronavírus, iniciado em dezembro, o volume de downloads do Plague Inc. disparou.

No dia 31 de janeiro, segundo dados da plataforma App Annie, o jogo estava no primeiro lugar entre os aplicativos pagos para iOS mais baixados em países como a própria China, os EUA e o Brasil. Para o sistema Android, ele não aparece nas primeiras cem posições. Há também versões do jogo para computador, console e tabuleiro.

A empresa escreveu que decidiu se posicionar pois recebeu uma avalanche de mensagens e perguntas da imprensa e de usuários após o início do surto do novo coronavírus, que o texto classifica como “profundamente preocupante”.

“Desenhamos o jogo para que ele seja realista e informativo, ao mesmo tempo sem fazer sensacionalismo sobre problemas sérios da vida real no mundo”, diz a nota.

“Por favor, lembre-se de que o Plague Inc. é um jogo, não um modelo científico; e que a situação atual de surto de coronavírus é uma situação muito real, que está tendo consequências para um número enorme de pessoas.”

“Recomendamos sempre que jogadores busquem informações diretamente de autoridades de saúde local e global”, afirma o texto.

Tela do jogo Plague Inc. diz: 'Selecione um tipo de praga: bactéria; vírus; fungo; parasita; prion; nanovírus; arma biológica'
Tela do jogo Plague Inc. diz: 'Selecione um tipo de praga: bactéria; vírus; fungo; parasita; prion; nanovírus; arma biológica' créditos: Divulgação
Tela do jogo Plague Inc. mostra montagem de 'vírus', com possibilidade de escolher sintomas, transmissão, letalidade
créditos: Divulgação

Em 2014, com o avanço do Ebola, a Ndemic Creations também registrou aumento de usuários e publicou uma nota com indicações de como contribuir para combater a doença. O próprio site do Plague Inc. abriu uma página específica para coletar doações.

No ano anterior, o fundador da empresa, James Vaughan, deu uma entrevista a um blog do Centro para Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) sobre o jogo.

“Fiz o Plague Inc. como um hobby. Eu tinha um trabalho diário como consultor, mas queria ter um desafio criativo no meu tempo livre”, afirmou na entrevista, em 2013, acrescentando que levou cerca de um ano para desenvolver o jogo e que leu artigos médicos para isso.

“Acho que o jogo tem apelo para pessoas buscando algo mais significativo e com substância do que a maioria dos jogos. Ele faz as pessoas pensarem sobre as doenças infecciosas por um novo ângulo — ajudando-os a perceber as ameaças às quais podemos estar submetidos diariamente.”

“Uma coisa interessante é que ele se tornou também uma ferramenta pedagógica — professores frequentemente me procuram para dizer que usaram o Plague Inc. para ilustrar conceitos de biologia e economia para seus alunos”, contou.

Na rede social chinesa Weibo, alguns usuários disseram que, de fato, a brincadeira virtual os deu “poderes” para lidar com o surto real de coronavírus.

“A melhor maneira de eliminar o medo é encará-lo diretamente”, escreveu um internauta.


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