Segundo a nota, "esses crimes, muitos dos quais poderiam constituir crimes de guerra e crimes contra a humanidade, são atribuíveis à coligação ex-Séléka e aos anti-balaka", milícias armadas que lutam na República Centro-Africana (RCA) pelo controlo local de recursos e influência política.

Este comunicado da missão da Nações Unidas na RCA (Minusca) representa o culminar de uma investigação da ONU aberta no início de setembro, depois de nove deslocados de um acampamento na cidade terem sido encontrados mortos no exterior do campo.

Num relatório divulgado no início de outubro, a organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) apontou os rebeldes do grupo armado Frente Popular para o Renascimento na República Centro-Africana (FPRC), acusando-os de "matar em 25 de agosto pelo menos 11 civis que tinham fugido do distrito de Borno [em Bria] após confrontos entre a FPRC e a milícia anti-balaka".

Um comandante regional da FPRC, general Tijani, negou: "Os anti-balaka querem que deixemos a região porque estamos a lutar contra eles duramente. Eles matam civis e querem responsabilizar-me por isso", indicou o mesmo relatório.

Além do grupo armado FPRC, os crimes contra civis em Bria ocorridos em agosto e setembro também foram cometidos por anti-balaka e outros grupos afiliados à antiga Séléka, indicaram a Minusca e a HRW.

A RCA é ocupada por vários grupos armados: FPRC, União para a Paz na República Centro-Africana (UPC), Comissão Patriótica para a Renovação da República Centro-Africana(RPRC), anti-Balaka, entre outros.

Estes grupos armados lutam pelo controlo dos recursos da zona, assim como pela influência política local nesta cidade do centro-leste.

Desde 2013, quase todo o território da República Centro-Africana vive sob a ameaça de grupos armados neste país com 4,5 milhões de habitantes.

A queda do Presidente François Bozizé, derrubado pela ex-rebelião dos Séléka que se proclamou protetor dos muçulmanos, provocou uma contra-ofensiva das milícias anti-balaka, pretendendo defender não-muçulmanos.

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