O número dos mortos causado por incidentes ligados às inundações desde 30 de junho foi avançado pela porta-voz da Sala de Controle de Operações de Saúde de Emergência, Ayesha Akther.

“Este é o período de inundações mais longo que já vimos nos últimos anos, mas a água já começou a diminuir em muitos distritos e estamos a preparar-nos para a resposta depois das enchentes”, disse o diretor do Centro Nacional de Coordenação de Resposta a Desastres, Tasmin Ara Ajimiri.

Segundo os dados mais recentes do Ministério de Gestão de Desastres do Bangladesh, 33 dos 64 distritos do país sofreram os efeitos das inundações causadas pelas monções, que afetaram 5,5 milhões de pessoas.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) alertou hoje, em comunicado, que a situação no Bangladesh aumenta o risco de surtos de doenças mortais e de agravamento da doença covid-19rus no país e na região do sul da Ásia.

“Esta é uma das maiores inundações de monções que enfrentámos nos últimos anos e o pior ainda está por vir”, disse o secretário-geral do Crescente Vermelho de Bangladesh, Feroz Salah Uddin, citado no comunicado.

“Enfrentamos um risco crescente de malária, dengue, diarreia, bem como o agravamento da pandemia de covid-19″, sublinhou.

Situado no delta do Ganges, pouco acima do nível do mar e com um quinto de seu território coberto por rios, o Bangladesh é atingido todos os anos, entre junho e setembro, por inundações e chuvas de monções, assim como os vizinhos Índia e Nepal.

Neste último caso, as inundações e deslizamentos de terra provocaram quase 200 mortos ou desaparecidos desde junho, e na Índia quase 12 milhões de pessoas foram afetadas pelas inundações, principalmente nos estados nortenhos de Assam e Bihar, acrescentou a federação.

A federação estima ainda que, em toda a região, 630 pessoas tenham morrido em acidentes relacionados com as monções e 17,5 milhões tenham sido afetadas pelas inundações sazonais que tornam o sul da Ásia vulnerável a surtos de doenças como dengue, malária ou raiva.

A mesma fonte acrescentou que as restrições impostas para conter a disseminação do novo coronavírus prejudicam os esforços para destruir os ninhos dos mosquitos e aumentar a consciencialização sobre como prevenir a dengue e a malária.

“Milhões de pessoas estão reunidas em espaços confinados ou dormem em abrigos temporários com acesso limitado a alimentos, água potável e proteção contra mosquitos”, disse o Coordenador de Saúde da Ásia-Pacífico da FICV, Abhishek Rimal.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 708 mil mortos e infetou mais de 18,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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