As explosões, no dia 04, mataram mais de 170 pessoas, deixaram mais de 6.000 feridos, destruíram grande parte da capital libanesa e precipitaram a demissão do Governo.

Antes de se demitir, o Governo declarou o estado de emergência em Beirute, o que dá ao exército o poder de declarar o recolher obrigatório, impedir concentrações públicas, censurar os ‘media’ e enviar civis para tribunais militares por quebras de segurança.

A medida foi criticada por grupos de defesa dos direitos humanos, que lembram que o Governo já está a funcionar com poderes ampliados devido à pandemia de covid-19.

De acordo com a organização não-governamental libanesa Legal Agenda, a medida “pode vir a levantar sérios obstáculos à liberdade de manifestação” porque confere ao Exército poderes para impedir “protestos considerados ‘ameaças contra a segurança'”.

A declaração de estado de emergência requer aprovação parlamentar e nas últimas horas surgiram apelos nas redes sociais contra a sessão parlamentar que aprovaria a medida.

O Parlamento tem, segundo o regimento, de se reunir oito dias depois de o estado de emergência ter sido decretado, mas os grupos de protesto mantêm as manifestações contra os políticos.

“Vocês atingiram-nos. Vão-se embora. Nós vamos impedir que os criminosos se reúnam”, refere uma mensagem que circula nas redes sociais.

O governo libanês está demissionário desde a passada segunda-feira, mas as manifestações de protesto exigem igualmente o afastamento do Presidente Michel Aoun, do presidente do Parlamento, Nabih Berri, e de todos os deputados e dirigentes partidários acusados de corrupção e incompetência.

Uma dezena de deputados já pediu a demissão. O Parlamento é constituído por 128 deputados.

A tragédia de 04 de agosto relançou o movimento de contestação que começou no outono de 2019.

Nos últimos dias têm-se registado confrontos frente ao edifício do Parlamento, em Beirute, entre manifestantes e a polícia de choque.

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