Esta situação cria um cenário muito complicado para os empresários do ramo.

A indústria do caju, instalada em locais com elevados índices de pobreza, sobretudo nas regiões norte e centro de Moçambique, emprega 17 mil trabalhadores, e em 2019, exportou cerca de 70 milhões de dólares das 52 mil toneladas de castanha processada.

Entretanto, Silvino Martins, presidente da Mesa da Associação das Indústrias do Cajú (ACAJU), diz que a pandemia está a colocar enormes desafios ao setor.

“Tivémos que fazer a rotatividade dos trabalhadores nas fábricas e isso tem custos, e temos um outro constrangimento ligado à exportação: as linhas de navegação são menos regulares e há casos de contentores que ficam no porto mais de 15 dias à espera de navios para carregamento”, realça aquele empresário.

Martins afirma que, para agravar a situação, surgiu a decisão da India de aumentar de 45 para 70 por cento a sobretaxa da amêndoa pronta “porque isso inflacionou o preço da matéria-prima em Moçambique, em cerca de 250 dólares por tonelada”.

“A introdução desta sobretaxa retirou aos processadores a sua capacidade de comprar a castanha em pé de igualdade com os indianos, e isso tem-nos afectado muito”, lamenta Silvino Martins, indicando que, devido a esta situação, pelo menos uma fábrica teve que paralisar as suas actividades.

Baixa produção

A indústria moçambicana de cajú tem uma capacidade instalada de 100 mil toneladas de castanha processada, mas em 2019 processou apenas 52 mil, e Silvino Martins esclareceu que isso não se deve à falta de matéria-prima.

“O problema é que o país exporta castanha em bruto, e a Constituição diz que as matérias-primas são para a indústria nacional, em primeiro lugar, mas a India vem comprar castanha a Moçambique com preço inflacionado, de cerca de 250 dólares”, alerta.

Aquele empresária diz ser necessário apostar no aumento da rentabilidade do produtor, que neste momento é muito baixa, e na capacidade de resiliência das fábricas nacionais, face aos problemas do mercado internacional, por exemplo o fato de o Vietname ter invadido o mercado com amêndoa partida.

Entretanto, o director do Instituto Nacional do Caju (INCAJU), Ilídio Bande, considera que “em termos de produção, Moçambique tem estado a registar crescimento, tendo nas últimas quatro campanhas, saído de uma média de 80 mil toneladas para cerca de 142 mil toneladas na época passada”.

A castanha de caju foi o 11.º produto de exportação de Moçambique em termos de receitas em 2018, com um valor de 14,8 milhões de dólares.

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