"Não é segredo que a situação de insegurança alimentar no Zimbabué e verdadeiramente desesperante", apontou Eddie Rowe, numa conferência de imprensa em Harare, no lançamento de uma campanha que pretende apoiar 4,1 milhões de pessoas entre janeiro e abril e 1,5 milhões em maio e junho.

Para que tal aconteça, o diretor do PAM para o Zimbabué referiu serem necessários 293 milhões de dólares (264 milhões de euros), dos quais a agência das Nações Unidas coletou apenas 30%.

De acordo com o responsável, os fundos são fundamentais para que os alimentos sejam entregues de forma atempada.

Eddie Rowe explicou que das 5,6 milhões de pessoas abrangidas pelo programa, "cerca de 2,2 milhões vivem nas cidades".

Segundo dados do PAM, 77% dos zimbabueanos urbanos não conseguem pagar uma refeição normal.

"Este ano, além da seca, temos outro fator que está a agravar a situação alimentar, nomeadamente a crítica situação económica", disse o responsável.

Esta semana, o PAM disse prever a aquisição, compra e entrega de 240.000 toneladas métricas de mercadoria até junho, "um desafio ainda mais assustador porque a seca e as inundações têm corroído o abastecimento de alimentos em grande parte de África".

O principal partido da oposição, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla inglesa), acusou hoje o Governo de contar com doadores para apoiar a população a enfrentar "uma das mais graves crises alimentares" da história do Zimbabué.

O MDC refere que o Zimbabué tem apenas 100.000 toneladas de milho, o que equivale a menos de um mês de fornecimento.

No final de novembro, após uma visita de 11 dias ao país, a relatora especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, Hilal Elver, referiu que "mais de 60% da população está em situação de insegurança alimentar".

Elver referiu que "a maioria das famílias são incapazes de obter alimentos suficientes para satisfazer as necessidades básicas devido à hiperinflação" no país.

O Zimbabué, um antigo produtor chave de cereais na África Austral, tem enfrentado nos últimos vinte anos uma crise económica contínua, agravada pela corrupção que vigora desde a administração do antigo Presidente Robert Mugabe.

Apesar das promessas, o seu sucessor e atual chefe de Estado do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, não foi capaz de conter a corrupção no país.

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