Em conferência de imprensa, para reagir às declarações do coordenador do MpD no Tarrafal, José dos Reis negou que o seu partido tenha participado na organização da manifestação naquele concelho de Santiago Norte, realçando que esta foi “um acto de democracia e de revolução”, que na sua óptica “deverá servir de lição e motivação para mais trabalho e melhor Tarrafal.”

“Ficou evidente, através dos órgãos da comunicação social, que esta manifestação foi uma iniciativa da sociedade civil, pois tivemos a oportunidade de ver um fiel militante do MpD a dizer que estava na manifestação por Tarrafal, não por causa de partidos políticos”, esclareceu.

Também criticou aquilo que chamou de “um conjunto de estratégias” no intuito de travar a “expressão do povo.” Isto porque, segundo o mesmo, depois que foi agendada a manifestação, Tarrafal recebeu a visita do primeiro-ministro, e o vice-primeiro-ministro participou na sessão solene do dia do município e teve a conferência de imprensa da Comissão Política e Concelhia do MpD.

Segundo a mesma fonte, há 28 anos que o município vem sendo “mal gerido pelo MpD”, fazendo uma “governação que compromete o presente e adia sucessivamente o futuro.”

“Estranhamos, por isso, esse discurso oco e vazio, colado simplesmente ao passado, proferido pela Comissão Política Concelhia do MpD”, declarou, lembrando os factos e feitos da governação central do PAICV, exemplificando com a construção do Centro de Saúde, o liceu de Chão Bom, o complexo Casa para Todos, centros comunitários, electrificação do Concelho, asfaltagem de Praia-Tarrafal, Figueira das Naus- Ribeira da Prata.

No entanto, para o primeiro secretário do sector PAICV no Tarrafal, isso não lhe satisfaz porque acredita que aquele concelho merece muito mais.

O que importa, segundo observou, é uma gestão “capaz, actuante no presente”, mas com visão no futuro. Conforme José dos Reis, o que é que esteve por detrás desta manifestação é o completo estagnação do município.

“A população do Tarrafal está desde muito tempo a reivindicar o desejado desenvolvimento do município e a equipa camarária que nós temos não conseguiu dar resposta à demanda da população. Se calhar é isso que motivou os manifestantes a saírem à rua a fazer um protesto contra o estado de estagnação do Tarrafal”, declarou José dos Reis, para quem o PAICV não teve nada a ver com a manifestação e “não vai-se apropriar de um acto da sociedade civil para tirar proveito político.”

O líder partidário afirmou que Tarrafal precisa de uma gestão “capaz de fazer das necessidades do município uma oportunidade de emprego e de rendimento para as famílias, de transformar a realidade e produzir um desenvolvimento equilibrado das distintas localidades do município, de traduzir as potencialidades em sectores estratégicos como o turismo, o desporto e a cultura em resultados, de estimular e fazer da agricultura , do comércio, da pesca e da criação de gado factores de rendimento”.

O primeiro secretário do sector do PAICV no Tarrafal disse que desde 91 que o MpD tem vindo a gerir o destino do povo do Tarrafal e PAICV tem feito o seu trabalho “enquanto oposição política, construtiva e democrática”, mas não mereceu ainda a confiança dos tarrafalenses. Porém, garantiu que o partido vai continuar a trabalhar, no sentido de “constituir uma alternativa para o futuro.”

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