"Se tivesse perdido em eleições livres e transparentes, eu teria ligado para o vencedor num segundo", afirmou o candidato do Partido Popular Democrático (PDP) através de comunicado de imprensa.

"Rejeito os resultados das eleições da vergonha de 23 de fevereiro de 2019 e vou impugná-los em tribunal", disparou.

De acordo com os resultados definitivos divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral Independente (conhecido na Nigéria como INEC), Buhari ganhou as presidenciais da Nigéria, país de maior população da África, com 56% dos votos.

A Comissão Eleitoral ainda não tinha feito, até a noite de terça-feira, o anúncio oficial da vitória de Buhari, mas contabilizando os resultados do país, assim como da capital federal, Abuja, o atual presidente tinha uma vantagem de quase quatro milhões de votos com relação ao seu principal adversário, Atiku Abubakar (41%).

Apesar da hora tardia, centenas de pessoas reuniram-se na sede do partido no poder, o Congresso dos Progressistas (APC), em Abuja, para comemorar os resultados ao ritmo de música afropop.

O porta-voz do partido, Bashir Ahmad, já tinha anunciado no Twitter que "Buhari venceu", antes sequer da proclamação oficial.

À medida que o INEC anunciava os resultados, diminuía a emoção da disputa eleitoral, cujas previsões apontavam para uma luta muito renhida entre o presidente e o candidato do Partido Popular Democrático (PDP), Atiku Abubakar.

A diferença entre os dois candidatos, ambos da etnia hausa, muçulmana e maioritária no norte, é menos pronunciada do que nas eleições de 2015 entre Buhari e Goodluck Jonathan, político cristão da região do Delta (no sul), mas Buhari conseguiu manter uma ampla vantagem em relação ao adversário destas últimas eleições.

Atiku Abubakar, um homem de negócios rico e ex-vice-presidente da Nigéria (1999-2007) é considerado um dos políticos mais corruptos do país.

Buhari, um ex-general que já dirigiu o país em 1983, durante as ditaduras militares, é um homem de negócios que prometeu conduzir uma luta feroz contra a corrupção, o cancro que corrói o principal produtor de petróleo da África.

Após um primeiro mandato moderado e muito criticado no campo da economia e da segurança, Buhari contava com uma ampla vantagem nos seus redutos, onde superava 70% dos votos, mas perdeu quase 435 mil votos num deles, a grande cidade de Kano (norte).

Os seus críticos costumam acusá-lo, também, de promover uma guerra às bruxas contra os seus opositores, disfarçando-a de luta contra a corrupção.

Abubakar não conseguiu unanimidade na região iorubá do sudoeste, onde o partido no poder manteve a maioria dos votos, nem na região de igbo, no sudeste.

A oposição denunciou fraudes em massa do partido no poder, para manter Muhammadu Buhari no comando do país, e pediu a interrupção dos resultados na noite de terça-feira. Contudo, esta solicitação só pode ser feita por via judicial.

A mobilização dos eleitores nigerianos foi baixa, com taxa de participação a rondar os 40%.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.