A ONG lamentou a morte dos dois cidadãos, exigindo que os agentes que terão disparado contra as vítimas sejam responsabilizados, referiu uma nota hoje divulgada Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD).

Em causa está a morte de duas pessoas num tumulto na segunda-feira, quando cerca de 200 pessoas tentaram vandalizar um posto da polícia em Lichinga, província do Niassa, após as autoridades terem proibido o grupo de celebrar o fim do Ramadão numa mesquita local, em cumprimento das regras do estado de emergência face à COVID-19.

Para a ONG, "nada justifica que a polícia recorra a armas de guerra [AK-47] para dispersar pessoas que se encontravam numa celebração religiosa" e, por isso, exigiu que o Estado assuma a sua responsabilidade.

"Existem várias formas eficazes que a polícia pode usar para dispersar pessoas aglomeradas, que não seja necessariamente o recurso a armas de guerra", frisou o CDD.

A organização acrescentou que "as vítimas de Lichinga juntam-se a tantas outras que morreram baleadas por agentes a quem o Estado conferiu a responsabilidade de manter a ordem e a segurança dos cidadãos".

Além dos dois óbitos, outras quatro pessoas ficaram feridas, três das quais também alvejadas por balas durante a confusão.

Em contacto com a Lusa na terça-feira, o porta-voz da corporação naquela província do norte de Moçambique, Alves Mathe, disse que as vítimas foram alvejadas acidentalmente, após a força policial ter sido "obrigada a disparar para o ar" para impedir que vandalizassem o posto policial.

"Infelizmente, os crentes partiram para cima da polícia com tudo o que tinham, pedras e outros instrumentos", disse Alves Mathe.

Com um total de 233 casos registados e dois óbitos devido à covid-19, Moçambique vive em estado de emergência desde 01 de abril e vai durar até finais de junho, após duas prorrogações.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 360 mil mortos e infetou mais de 5,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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