A situação foi hoje dada a conhecer, em conferência de imprensa, por João Roberto Soki, coordenador do grupo de Ngola Kabango, antigo líder da FNLA destituído da presidência do partido histórico angolano por decisão do tribunal.

“A FNLA não goza de saúde há mais de 20 anos, desde que o então secretário para a Informação – irmão Lucas Benghy Ngonda – em flagrante violação dos princípios e regras mínimas do decoro político, se auto-proclamou, com conivência de certo sector do Estado angolano, presidente do partido”, afirmou João Soki.

Segundo o coordenador do grupo de Ngola Kabangu no processo de diálogo, a FNLA, um dos três movimentos de libertação de Angola do poder colonial português, vive há 22 anos uma contínua desestabilização, que tem levado o partido a um “acelerado definhamento”, que o arrasta à extinção.

“Durante anos a fio, o irmão Lucas Benghy Ngonda furtou-se ao diálogo: surdo a todos os apelos dos variados quadrantes, que dentro e fora da FNLA, exigiam o fim da crise e unificação do partido”, referiu.

Esta ala do partido reclama ainda o incumprimento por parte de Lucas Ngonda de uma decisão do Tribunal Constitucional, que invalidou todos os actos e deliberações adoptados num congresso extraordinário que realizou em Junho de 2018, na província do Huambo, deixando consequentemente inválido, desde fevereiro deste ano, o mandato que recebeu no congresso de 2015.

De acordo com João Soki, em maio deste ano, Lucas Ngonda manifestou abertura para o diálogo com os grupos de militantes contestatários à sua direção, em particular, os grupos de Ngola Kabangu, Fernando Pedro Gomes e Susana dos Santos.

Na sequência da abertura para o diálogo, foram convidados alguns militantes daquelas alas, para o início de uma “reflexão sobre a unidade da família FNLA”, que compareceram em Junho para um encontro.

Depois de consultas preliminares, naquele encontro o grupo de Ngola Kabangu apresentou uma proposta de ordem de trabalhos com cinco pontos fraturantes, que foi alegadamente “rapidamente adoptada e livremente aprovada pelas partes, passando a denominar-se Agenda de Consenso”.

A agenda continha como pontos a constituição de uma comissão de diálogo para unidade e reconciliação interna do partido, a consagração do princípio de transição, a elaboração do pacto de entendimento, a elaboração de um código de ética e deontologia, a reafirmação da ideologia do partido, a realização de assembleias informativas e a realização do congresso.

O grupo de Ngola Kabangu acusa Lucas Ngonda de querer perpetuar-se na direção do partido, vencida com o acórdão do Tribunal Constitucional, ao ter convocado em 09 de setembro o Bureau político saído do congresso de 2015, para marcar uma reunião do Comité Central, que deveria autorizar a convocação do congresso de 2019.

João Soki referiu que depois de quatro meses de “tergiversações e simulacro de diálogo”, Lucas Ngonda, actualmente deputado à Assembleia Nacional e membro do Conselho da República, “decretou unilateralmente o fim e rutura, no dia 15 deste mês, do processo de diálogo que vinha mantendo com os representantes de Ngola Kabangu”.

O coordenador do grupo de Ngola Kabangu no processo de diálogo disse que Lucas Ngonda prepara-se para, nos próximos dias, assinar em Luanda, com o apoio de alguns militantes, “um pretenso Pacto de Entendimento da FNLA”.

“Instamos, por isso, o irmão Lucas Benghy Ngonda, que convido para consolidar o espírito de aproximação entre irmãos, que devemos ultrapassar as questões litigantes, que nos permitam uma conciliação, reconciliação, coesão interna e reencontro genuínos da grande família FNLA”, exortou.

Num apelo às autoridades político-administrativas e aos órgãos de justiça angolanos, a ala de Ngola Kabangu pediu que acompanhem atentamente a situação interna da FNLA e incentivem Lucas Ngonda a privilegiar o diálogo com a outra parte do processo, “de modo a sanar definitivamente a crise interna da FNLA”.

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