Reportagem atualizada às 4h53 desta quarta-feira (16)

Incertezas e silêncio compõem o clima no entorno do edifício Andréa, em Fortaleza. O prédio de sete andares desabou na manhã desta terça-feira (15) e, apesar de já terem sido resgatadas oito pessoas, o número real de possíveis vítimas e sobreviventes ainda é incerto. A prioridade é encontrar pessoas que deem sinais de vida.

Enquanto isso, familiares e amigos dos moradores mobilizam-se para reunir informações sobre o real número de pessoas que estavam dentro do edifício. Porém, ainda há muitas dificuldades, pois poucas pessoas viram ou sabem do destino dos moradores antes do desabamento – ou seja, não se sabe se saíram de casa ou não.

Até às 14h40 desta terça-feira, além das oito pessoas resgatadas, segundo o Corpo de Bombeiros local, duas estão em processo de resgate (ou seja, foram localizados com vida) e outras 10 foram reclamadas pelas famílias, mas não foram encontradas até o momento. Uma pessoa morreu.

Mais cedo, os Bombeiros afirmaram que havia um óbito decorrente do acidente mas, no início da noite, o governo estadual do Ceará afirmava que isto não estava confirmado. Momentos depois a morte desta pessoa — ainda não identificada — voltou a ser divulgada oficialmente.

Apesar do clima tenso e de sofrimento, a esperança permanece em poder reencontrar pessoas próximas. Cada vida encontrada é festejada, como a do cão da raça Dachshund (comumente conhecido como salsicha), que foi localizado no meio dos escombros. O dono do animal ainda não foi encontrado ou se apresentou.

Prédio desabado em Fortaleza
Prédio tinha sete andares, além do térreo, usado como estacionamento créditos: Reprodução/Twitter

A consultora empresarial Marjorye Barreira, moradora do bairro Dionísio Torres há 50 anos, relata que, por volta das 10 horas da manhã, foi surpreendida por um barulho ensurdecedor. “Era diferente de tudo que já escutei por aqui. Pensei em uma grande batida de carros, quando saí de casa só vi uma nuvem de poeira na rua”.

Marjorye não possuía parentes no prédio, mas conhecia algumas pessoas, como o comerciante de água mineral cuja loja localizava-se ao lado do prédio, e que está desaparecido.

Um mapa da situação predial e das vistorias feitas em Fortaleza foi solicitado ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE). O órgão informou, porém, que não possuía esse relatório.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as buscas não têm hora para terminar. Fora a presença da Defesa Civil, bombeiros e Polícia Militar, que estão mobilizados em localizar sobreviventes e vítimas, instituições como a Cruz Vermelha e o Instituto Bia Dote prestam apoio psicológico aos familiares, e auxiliam na coleta de informações relativas ao número de famílias presentes no prédio e a planta dos apartamentos, com o objetivo de facilitar o resgate.


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Escrito por: Thays Lavor - De Fortaleza para a BBC News Brasil

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