“Os jornalistas são atacados de todos os lados. São mortos, espancados ou feitos desaparecer; são perseguidos e ameaçados; são presos e condenados à morte apenas por tentarem esclarecer acerca da brutalidade desta crise”, criticou a alta comissária Michelle Bachelet num comunicado.

Desde o início de abril, “o gabinete dos direitos humanos das Nações Unidas registou um assassínio, um rapto, três casos de prisão e detenção arbitrárias, a condenação à morte de quatro jornalistas (…) e três agressões físicas e ameaças de violência física”, enumerou.

A ONU declara-se particularmente preocupada com a situação dos quatro jornalistas condenados à morte a 11 de abril em Sanaa, que teme sejam executados apesar do recurso que foi apresentado.

São acusados de “publicar e escrever informações, declarações, rumores falsos e maldosos e propaganda visando enfraquecer a defesa da pátria e o moral do povo iemenita, sabotar a segurança pública, semear o terror entre a população e prejudicar os interesses do país”.

Durante os cinco anos da sua detenção “não tiveram direito à visita das famílias, do advogado, nem a cuidados médicos” e “terão sido sujeitos a tratamento cruel, desumano e degradante”, segundo o comunicado.

Os serviços de Bachelet evocam também o assassínio a 2 de junho de Nabil al-Quaety, um repórter de imagem iemenita que colaborava com a agência France-Presse, morto por homens armados diante da sua casa em Aden, no sul do Iémen.

A guerra no Iémen começou em meados de 2014 e opõe o governo reconhecido internacionalmente aos rebeldes xiitas Huthis, ajudados pelo Irão e que ocupam sobretudo o norte e o oeste do país, incluindo a capital, Sanaa.

Em março de 2015, uma coligação internacional dirigida pela Arábia Saudita começou a apoiar militarmente o governo na guerra contra os Huthis.

Desde essa data, o gabinete dos direitos humanos da ONU registou 357 violações de direitos humanos e abusos contra jornalistas, incluindo 28 assassínios.

A guerra no Iémen já causou dezenas de milhares de mortos, na maioria civis, e quatro milhões de deslocados. O país enfrenta a maior crise humanitária a nível mundial, segundo a ONU, com cerca de 80% da população dependente de ajuda de emergência.

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