Numa conferência de imprensa, Abul Kalam indicou que ninguém das 295 famílias entrevistadas desde terça-feira pelo governo do Bangladesh e a agência da ONU para os refugiados concordou voltar a Myanmar.

As autoridades birmanesas tinham anunciado que o repatriamento começaria hoje, depois do país de maioria budista ter declarado que mais de 3.000 refugiados de pelo menos 1.056 famílias podiam regressar ao país.

O primeira-ministra do Bangladesh, Sheikh Hasina, disse que o seu governo não forçará os refugiados a regressar e que o repatriamento só acontecerá se os rohingyas concordarem.

Os militares birmaneses lançaram em agosto de 2017 uma campanha de contra-insurgência em resposta a um ataque de um grupo rebelde rohingya, que levou a um êxodo da etnia para o Bangladesh e a acusações de violações em massa, de assassínios e de milhares de casas queimadas pelas forças de segurança.

Uma missão de investigação independente promovida pela ONU recomendou a acusação dos principais comandantes militares birmaneses por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade. Myanmar rejeitou o relatório.

Mais de 700.000 rohingyas fugiram para o vizinho Bangladesh e têm recusado voltar temendo pela sua segurança.

Uma anterior tentativa de inscrever 2.260 rohingyas numa lista de repatriamento falhou em novembro de 2018 também por falta de garantias de segurança.

Os rohingyas não são reconhecidos como uma minoria oficial pelo governo birmanês, que os tem tratado como estrangeiros, embora as suas famílias vivam no país há gerações. Foi-lhes negada a nacionalidade, assim como a liberdade de movimentos e outros direitos básicos.

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