O escritor, poeta, cineasta, artista plástico, e antropólogo Ruy Duarte Carvalho morreu na sua casa na cidade de Swakopmund, na Namíbia. A notícia foi avançada hoje à Lusa pela escritora angolana Ana Paula Tavares.

De acordo com a edição online do diário "Público", o escritor foi encontrado sem vida na casa para a qual foi viver depois da reforma. O filho de Ruy Duarte Carvalho, ainda em declarações ao mesmo jornal, afirmou que não tinha informações do pai há alguns dias.

O autor, que tinha 69 anos, nasceu em Santarém mas passou grande parte da sua infância e adolescência na província de Namibe, em Angola, tendo regressado a Portugal nos anos 60 para frequentar e concluir o curso de regente agrícola. Logo de seguida, regressou a Angola para pôr em prática o que tinha aprendido.

Angola foi, de facto, o país para o qual Ruy Duarte de Carvalho sempre regressou. Em 1974, depois de ter dividido o seu tempo entre Maputo e Londres, onde frequentou um curso de cinema, voltou ao país da sua infância. A ligação a Angola tornou-se ainda mais efectiva com o pedido de nacionalidade angolana que o escritor solicitou em 1983.

É também sobre Angola, mais precisamente sobre os pescadores da costa de Luanda, que incide a sua tese de doutoramento em Antropologia na École de Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris.

Exerceu a actividade de Professor da Universidade de Luanda e foi Professor Convidado na Universidade de Coimbra (Portugal) e na Universidade de São Paulo (Brasil).

Dos seus cerca de 20 livros de poesia, ficção, viagem e ensaio publicados, destacam-se “Vou lá visitar pastores”, “Actas da Maianga”, “Os papéis do inglês” e “Lavra”. Da sua filmografia constam os filmes "Nelisita: narrativas nyaneka", de 1982, e "Moia: o recado das ilhas", realizado em 1989.

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