A viatura em que seguiam foi atacada quatro quilómetros a norte de Mocímboa da Praia, no mesmo dia em que a vila esteve sob ataque - com confrontos que se prolongaram pelos dias seguintes -, cerca de 70 quilómetros a sul do recinto de construção do empreendimento liderado pela petrolífera Total.

Dos 14 ocupantes, além dos oito mortos, três fugiram para o mato e sobreviveram enquanto outros três continuam desaparecidos.

A viatura em que seguiam "foi atacada por cinco insurgentes vestidos de uniforme do exército militar similar ao das Forças de Defesa de Moçambique", lê-se no comunicado da Fenix Construction.

"Bloquearam o veículo e logo a seguir abriram fogo, tendo matado imediatamente o motorista" e "no mesmo instante três ocupantes que sobreviveram conseguiram fugir e entrar no mato".

Um deles percorreu a mata até chegar à aldeia de Quelimane, onde passou a noite, antes de conseguir uma boleia de motorizada e retornar a Palma, capital do distrito onde decorrem as obras das petrolíferas.

"Os outros dois sobreviventes continuaram escondidos no mato por vários dias, na área próxima ao local da emboscada" e voltaram a Palma na quarta e quinta -feira.

Uma empresa de segurança privada contratada pela Fenix conseguiu resgatar para Palma os corpos dos oito homens mortos e "sob instruções das autoridades locais de Palma, foram enterrados na sexta-feira".

As autoridades ainda não se pronunciaram sobre o ataque a Mocímboa da Praia na última semana, o mais recente de uma série de incursões terroristas de violência crescente desde março e reivindicadas pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico.

Após confrontos com as Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique, com infraestruturas destruídas, energia e comunicações limitadas, a informação vai surgindo a conta gotas.

Fonte militar disse à Lusa suspeitar-se que os rebeldes continuam misturados com famílias fora da vila e por isso "as buscas e perseguição continuam".

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) divulgou ontem imagens que mostram a igreja de Mocímboa da Praia totalmente destruída depois de ter sido incendiada durante o ataque.

Outras imagens distribuídas por residentes mostram que foram igualmente destruídas a escola secundária, o hospital, lojas, dezenas de casas particulares, viaturas e outros bens.

Os confrontos entre as FDS e os grupos armados provocaram nova fuga em massa da população.

Mocímboa da Praia já tinha sido invadida e ocupada durante um dia por rebeldes em 23 de março, numa ação depois reivindicada pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico.

Os confrontos do fim de semana são os maiores de que há relato em Cabo Delgado desde a ocupação por insurgentes da vila de Macomia, entre 28 e 30 de maio, e consequente confrontação com as FDS moçambicanas.

Mocímboa da Praia é uma das principais vilas da província, situada 70 quilómetros a sul da área de construção do projeto de exploração de gás natural conduzido por várias petrolíferas internacionais e liderado pela Total.

A violência armada intensificou-se desde março, mas já dura há dois anos, provocando a morte de, pelo menos, 700 pessoas e uma crise humanitária que afeta cerca de 211.000 residentes.

As Nações Unidas lançaram, no início de junho, um apelo de 35 milhões de dólares à comunidade internacional para um Plano de Resposta Rápida para Cabo Delgado para ser aplicado de maio a dezembro.

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