"A COVID-19 é um desafio sem precedentes, mas este momento de crise também apresenta oportunidades, e acredito que a COVID-19 pode, inadvertidamente, desencadear um futuro melhor em África", escreve Cesar Abogo num artigo difundido hoje, no qual acrescenta que "para isso acontecer é preciso que a instituição bandeira de África, o BAD, seja mais forte do que nunca".

No artigo, o ministro das Finanças da Guiné Equatorial mostra o apoio ao Presidente, acusado por um grupo de funcionários anónimo de favorecimento dos seus compatriotas nigerianos e de prepotência.

"Saudamos a resposta ousada do BAD e o seu empenho na ajuda aos países, ao criar um veículo financeiro de 10 mil milhões de dólares [9,1 mil milhões de euros] para ajudar a acomodar o impacto social e económico da pandemia nos países-membros e estamos claramente satisfeitos com o desempenho do banco e a liderança visionária do seu presidente, o doutor Akinwumi Adesina", escreve o governante.

Sobre as críticas dos denunciantes, rejeitadas pelo Comité de Ética do banco, Cesar Abogo mostra-se preocupado pelo impacto mediático da situação: "Expressamos a nossa profunda preocupação sobre isto não só minar e afetar a credibilidade de Adesina, mas também pela contribuição para a erosão da credibilidade do banco, especialmente a força das suas instituições internas", conclui o ministro da Guiné Equatorial.

Os funcionários do BAD que lançaram uma queixa contra o seu presidente defenderam a necessidade de uma "investigação independente", depois de o comité de ética ter arquivado as acusações.

"É urgentemente necessária uma investigação independente", lê-se num documento enviado de forma anónima pelos funcionários do banco à agência de notícias France-Presse, na sequência do arquivamento da queixa original apresentada pelos colaboradores do banco multilateral de desenvolvimento.

De acordo com aquela agência noticiosa, o documento foi enviado aos governadores do banco, no princípio de maio, e surge depois de o comité de ética do banco ter considerado que as queixas contra Akinwumi Adesina, de favorecimento e prepotência, entre outras, não tinham provimento.

A acusação denunciava que Adesina entregava os maiores contratos a seus conhecidos e nomeava familiares e amigos para os cargos de maior importância, criticando também a prepotência na condução do banco e o afastamento de críticos do seu trabalho.

Depois de examinar as alegações "ponto por ponto", o comité concluiu que "a queixa não é baseada em nenhum facto concreto e sólido", de acordo com a conclusão da investigação, que data de 26 de abril, e foi consultada pela agência de informação financeira Bloomberg.

Nas últimas semanas, Adesina tem repetidamente refutado as alegações, considerando-as infundadas e afirmou que são uma tentativa para o desacreditar em vésperas de eleições para um segundo mandato à frente do banco, cujas eleições acontecem no final deste mês, e para as quais é o único candidato.

Também nas últimas semanas o banqueiro tem recebido vários apoios, entre os quais está o do chefe de Estado da África do Sul e presidente em exercício da União Africana, Cyril Ramaphosa, e da antiga Presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, que o elogiaram pelos esforços para garantir financiamento para o combate à pandemia da COVID-19.

Em março, o banco emitiu títulos de dívida no valor de 3 mil milhões de dólares, e lançou também um instrumento financeiro de 10 mil milhões de dólares para as nações africanas com o mesmo objetivo.

O BAD é o maior banco multilateral e tem um 'rating' de triplo A das três maiores agências de rating - Moody's, Standard & Poor's e Fitch –, tendo como acionistas 54 nações africanas e vários países fora do continente, entre os quais está Portugal e, mais recentemente, a Irlanda do Norte, que anunciou há semanas a sua entrada como acionista.

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