Em entrevista ao Jornal de Angola, referiu que esse espaço é cada vez mais reduzido até para os que "exercem repressão em nome da sua pretensa legitimidade histórica".

Segundo o escritor, hoje as novas gerações dos países africanos estão ligadas ao Mundo, sabem como funcionam os outros Estados e como a liberdade se pode conquistar.

Mia Couto disse não ficar calado perante a injustiça, sublinhando que é contra o ataque pessoal, imposição da razão pela autoridade e a cultura do medo.

Noutro contexto da sua entrevista, encorajou os jovens escritores a serem simplesmente artistas da escrita e a absterem-se da busca da fama e glória.

"Há algo que insisto em dizer aos mais jovens: Não busquem fama, nem glória. O que vale é o gosto que temos em ser escritores", expressou.

Ainda no domínio literário, destacou a influência que seu o colega angolano Luandino Vieira teve na sua actividade literária, reconhecendo que foi o primeiro autor a desafiá-lo na busca de uma escrita que integrasse a oralidade.

"Faço questão de invocar o nome deste que foi um dos instigadores do meu caminho", sublinhou.

Questionado sobre o conteúdo do seu romance "O Bebedor de Horizontes", Mia Couto indicou que o mesmo, integrado por vários recados, orienta as pessoas a olharem o passado de modo menos politizado, fundamentando que "a história oficial, aquela que se ensina na escola, é uma narrativa simplificada que deitou fora outras narrativas paralelas".

Mia Couto esteve em Luanda no passado dia 06 de Abril, numa sessão intensiva de trabalho com os escritores José Eduardo Agualusa e Cynthia Perez.

Os três artistas vieram ao país para criar três livros infantis apresentados na Luanda Antena Comercial (LAC), numa iniciativa do Goethe-Institut Angola.

O escritor moçambicano, autor de vários poemas no Jornal da Beira, lançou em 1983 o seu primeiro livro de poesias "Raiz de Orvalho".

Constam da sua galeria o Prémio da Organização dos Jornalistas Moçambicanos, em 1989, com o livro "Cronicando" e Prémio Neustadt Internacional Prize for Literature, considerado o Nobel americano.

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