Durante o seu discurso sobre o Estado da Nação na terça-feira, em Luanda, na abertura do ano parlamentar, João Lourenço fez um balanço da sua ação governativa ao longo destes dois anos, afirmando que a mediateca do Bié tinha sido inaugurada em 2019.

A informação acabaria por ser desmentida por vídeos colocados nas redes sociais, que mostravam o equipamento ainda envolto por chapas metálicas.

Ontem na capital do Bié, Cuíto, onde esteve para uma visita de dois dias, João Lourenço admitiu que a falha embaraçou o governo.

“Alguém criou uma situação embaraçosa para o executivo, que estamos a investigar no sentido de responsabilizar quem o fez”, assumiu João Lourenço num encontro com jovens do Bié, onde foi alertado para a necessidade de equipar a mediateca.

À assunção do embaraço, recebida com palmas, João Lourenço juntou a promessa de “apetrechamento em tempo recorde” do equipamento, uma vez que “a obra está efetivamente pronta”, e disse já ter tomado medidas neste sentido.

“Vamos ver se vos damos esta prenda no Dia da Independência Nacional, 11 de novembro”, anunciou o chefe do executivo angolano, novamente interrompido pelos aplausos

Ao longo de quase duas horas, numa iniciativa que designou como “Diálogos com a Juventude” João Lourenço ouviu as sugestões de vários representantes de organizações juvenis, concordando com algumas e rejeitando outras, ouviu queixas sobre projetos por concluir, desabafos sobre a falta de empregos, falta de instalações desportivas, falta de bolsas de estudo, falta de casas acessíveis e baixos salários.

E até o apelo de um jovem, Faustino Sassambo, porta-voz do corredor centro-sul do Bié que pediu ao Presidente “mais fiscalização aos projetos” e “mais atenção à idoneidade da equipa que o auxilia, pois sente-se que muitas das vezes algumas das situações que lhe chegam não condizem exatamente com aquilo que é a realidade dos cidadãos”.

Propostas que João Lourenço prometeu acatar: “vamos seguir o seu conselho e exigir mais dos membros do executivo, sobretudo no que diz respeito ao dever de comunicar e comunicar bem”.

O presidente disse que ia tentar atender a todas as situações relatadas, mas acrescentou que “quando os filhos pedem muito, o pai tem dificuldades em atender tudo” e considerou que é preciso saber estabelecer prioridades.

O chefe do governo angolano foi também confrontado com casos de famílias que beneficiam de projetos habitacionais aos quais não têm direito e apelou à denúncia destas situações.

“Havia pensionistas-fantasma e ex-combatentes-fantasma. Há fantasmas em todo o sítio, pessoas que não têm direito a certos benefícios, mas ficaram com eles recorrendo a esquemas de esperteza e prejudicando quem, de facto, tem direito”, referiu João Lourenço, dizendo que o mesmo se passa na habitação.

“Há quem consiga adquirir mais do que uma casa do Estado, é preciso que haja vigilância por parte dos cidadãos. Quem conhece esses casos deve denunciar para proteger quem de facto tem direito”, exortou.

O Presidente angolano esteve no Bié durante dois dias para avaliar os problemas económicos e sociais mais prementes nesta província central de Angola e aproveitou para inaugurar o novo terminal de passageiros do Aeroporto Joaquim Capanga, um hospital regional no município do Cuemba e uma nova obra de abastecimento de água no Cuíto.

Visitou também o cemitério-memorial dos Mártires do Cuíto e manteve encontros de auscultação com a sociedade civil e organizações de jovens.

RCR // MSP

Lusa/fim

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