"E agora a mensagem a dizer é muito simples, é: até logo ou até à próxima. Não se trata de partir para não voltar, mas de partir para voltar o mais brevemente possível", disse Marcelo Rebelo de Sousa, na conferência de imprensa final da sua visita de Estado a Angola, na Escola Portuguesa de Luanda.

Questionado depois sobre quando será a sua próxima visita a Angola, respondeu à jornalista que lhe fez a pergunta: "Mesmo que soubesse, não lhe dizia".

"Porque acho que há um efeito surpresa fundamental que faz parte da vida. Uma das coisas que aprendi com a vida é que ser tudo sabido, premeditado, sabido com muita antecedência tira encanto às coisas", justificou.

Relativamente ao relacionamento entre Portugal e Angola, o chefe de Estado português considerou que se está a iniciar "um novo ciclo histórico".

"Portanto, aquilo que eu tenho é de agradecer ao povo angolano, ao Governo angolano, muito em especial ao Presidente João Lourenço, a Angola aquilo que foi o acolhimento caloroso - como tinha sido ao primeiro-ministro português, como tem sido a todos quantos vêm de Portugal e como nós gostamos que seja o acolhimento dos nossos irmãos angolanos em Portugal", acrescentou.

Nesta conferência de imprensa, Marcelo Rebelo de Sousa foi interrogado sobre a reivindicação de um consulado português na província angolana da Huíla, onde esteve durante a sua visita de Estado a Angola.

Na presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, o chefe de Estado português respondeu: "Eu ouvi essa pretensão, tomei devida nova. Como sabe, o Presidente não tem poder executivo, mas o Governo está atento, o senhor ministro já conhecia essa questão e é uma questão que está a ser acompanhada".

"Como nós apostamos imenso na Huíla em termos de investimento, em termos de presença de portugueses, para além da comunidade forte que lá existe, essa é uma questão que certamente não deixará de ser acompanhada", reforçou.

Sobre o pagamento das dívidas fiscais de empresas portuguesas com atividade em Angola, Marcelo Rebelo de Sousa desdramatizou o assunto, dizendo que entre amigos cada um faz "os impossíveis para pagar aquilo que deve, e esses processos cumulam-se no tempo".

"Quando existe algum problema entre amigos, isso vai-se solucionando o mais rapidamente possível. De facto, a amizade tem essa virtualidade. Não é problema que seja insolúvel", defendeu.

Quanto à política de vistos, enquadrou-a na discussão sobre mobilidade de cidadãos que está em curso na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), através de "um roteiro que está a ser definido" e que "vai culminar na presidência angolana" desta organização.

"A ideia principal é esta: há várias fases, cada país livremente escolhe em quais fases quer entrar e, se for possível que todos entrem em pleno, muito bem, se não for possível, haver a liberdade de bilateralmente aqueles que vão percorrendo os passos acertarem entre si até onde podem ir", referiu.

IEL // MSF

Lusa/Fim

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.