Foram necessárias quase quatro semanas para colocar em cima da mesa um calendário para novas eleições no Mali. Primeiro, houve consenso. Cerca de 500 representantes de grupos políticos e da sociedade civil aprovaram um plano de transição de 18 meses até à eleição democrática de um novo Governo. Depois, surgiu resistência.

Os opositores do Movimento 5 de Junho - Assembleia das Forças Patrióticas (M5-RFP) anunciaram que estão contra o plano - porque, no documento final do roteiro, não se prevê uma figura civil para liderar a transição. E não só. "O M5-RFP condena o facto de muitos pontos do documento, que não estavam sequer em questão, serem desconsiderados. Isso inclui o órgão de gestão do mecanismo de monitorização da transição ou o Alto Conselho Consultivo", afirma Choguel Kokalla Maiga, coordenador do movimento.

Em resumo, os opositores veem os militares a aconchegarem-se ao poder depois de derrubarem o Presidente Ibrahim Boubacar Keïta em agosto. E acusam-nos de usar táticas "intimidatórias e antidemocráticas".

Para a oposição, é simples: o roteiro final de transição é favorável aos militares e não reflete as opiniões do povo do Mali.

Nem todos concordam com M5-RFP

O ex-primeiro-ministro maliano Moussa Mara não vê a situação pelo mesmo prisma. Em entrevista à DW, o político diz que "o grande objetivo é reunir o maior número de malianos, para poder também trabalhar com a comunidade internacional. Por conseguinte, confiamos que o Comité Nacional para a Salvação do Povo [CNSP, criado pela junta militar] e os líderes políticos trabalhem para garantir uma cooperação com a CEDEAO como deve ser."

A intenção do Movimento 5 de Junho é evidente: nomear o primeiro-ministro de transição. Segundo o correspondente da DW Bram Posthumus, isso terá a ver com o facto de, no seio do movimento, haver "muitos políticos do Governo anterior", que pretenderiam regressar ao poder. No entanto, de acordo com uma sondagem recente, a maioria dos malianos desconfia dos políticos do M5-RFP e até aceitaria um Governo de transição liderado por um militar.

Ninguém nega que o M5-RFP tenha instigado o golpe militar, comenta Ibrahim Dallo, um residente de Bamako. Porém, agora é tempo de abraçar uma "causa comum, para que o país possa avançar".

Outra habitante, Tante Mendy Berthé, confia nos militares para assegurar a transição no Mali: "Eles estão à altura da tarefa".

Uma coisa é certa: os malianos não estão à espera da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para resolver os seus problemas.

"O líder da junta militar, Assimi Goita, já disse claramente, em várias ocasiões, que não está preocupado com a agenda da CEDEAO", recorda Bram Posthumus. "Ele diz que este é um assunto do Mali, que nós somos malianos e que se decidiu resolver as coisas à nossa maneira."

por: Martina Schwikowski, Mahamadou Kane, gcs

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