Os dois primeiros casos do novo coronavírus em Angola foram registados a 21 de março deste ano. Até agora, o país já confirmou mais de quatro dezenas de casos e duas mortes provocadas pela COVID-19.

Ao mesmo tempo, a malária, principal causa de morte em Angola, continua a fazer centenas de vítimas mortais. Só na província angolana da Huíla, a região mais afetada, mais de 450 pessoas morreram no primeiro trimestre deste ano.

As autoridades sanitárias locais garantem estar atentas ao aumento dos casos da doença.

"Discutimos, amplamente, como é que podemos melhorar a qualidade da abordagem. Então, estou muito confiante. Penso que será ultrapassado com brevidade", afirmou a diretora provincial de Saúde, Luciana Guimarães, em declarações à Rádio Nacional de Angola (RNA).

Outras regiões de Angola também registam centenas de mortes por malária, em milhares de casos diagnosticados.

Pico da malária

Em entrevista à DW África, o médico Maurílio Luiele lembra que o pico da doença no país ocorre por esta altura do ano, devido ao volume da chuvas, que favorece a proliferação de mosquitos transmissores da malária.

"O aumento de casos de malária nesta época é perfeitamente esperado. Esta é a altura do pico sazonal da malária."

Dados divulgados em 2018 pelas autoridades sanitárias angolanas indicam que mais de 2,5 milhões de casos de malária foram registados naquele ano. O Governo anunciou, entretanto, que pretende acabar com a malária até 2030.

Não esquecer malária, apesar da COVID-19

O médico Maurílio Luiele diz ter notado que, com a chegada ao país da pandemia do coronavírus, a atenção em relação a outras doenças diminuiu.

"O foco foi totalmente voltado para a COVID-19. O problema é este. Eu penso que é preciso manter algum equilibrio, e isto é perfeitamente possível."

O especialista reconhece, no entanto, a importância que se dá às ações na luta contra a COVID-19.

"A atenção voltada para COVID-19 justifica-se, tendo em conta a rápida propagação e a dimensão geográfica que a pandemia assumiu. Para se inverter o quadro atual, é preciso que o Governo e a população adotem as medidas de prevenção necessárias contra a malária", apela o médico.

Maurílio Luiele acrescenta ainda que é necessário melhorar o saneamento básico, com "ações de fumigação e ações diretas das famílias e dos indivíduos, como o uso dos mosquiteiros, repelentes e inseticidas."

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