Na manhã de hoje, o Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU em Genebra foi informado da morte de cinco manifestantes na noite de quinta-feira em frente ao prédio do governo de Bassorá.

Além dos mortos, pelo menos 8.000 feridos, incluindo militares e agentes de segurança, foram registados entre 01 de outubro e 07 de novembro.

“O número exato de vítimas pode ser muito maior. A maioria destas foi atingida por munição real disparada por forças de segurança e elementos armados, que muitos descreveram como milícias privadas”, disse o porta-voz do Alto Comissariado, Rupert Colville.

Outros sofreram o “uso desnecessário, desproporcional e impróprio de armas menos letais, como gás lacrimogéneo”, acrescentou.

A agência da ONU também está a acompanhar várias queixas sobre detenções, não apenas de manifestantes e ativistas, mas também de pessoas ligadas às redes sociais, embora tenha dito que está a enfrentar uma “falta de transparência” que dificulta o avanço nestas investigações.

Além dessas prisões, surgiram relatórios que revelam casos de sequestro de manifestantes e voluntários, que vão aos protestos para ajudá-los.

“Todas essas reclamações devem ser investigadas rapidamente, precisamos esclarecer o paradeiro dos desaparecidos e saber quem são os responsáveis”, afirmou Colville.

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas desde o início de outubro em Bagdad e no sul do país para exigir mudanças políticas amplas.

Os manifestantes reclamam da corrupção generalizada, da falta de oportunidades de emprego e os péssimos serviços básicos, incluindo cortes regulares de energia, apesar das vastas reservas de petróleo do Iraque.

Os protestos espalharam-se para diferentes cidades do Iraque, apesar da repressão e da ameaça de que a lei antiterrorismo será aplicada a todos os que usarem a violência que sabotam propriedades públicas ou que atacam agentes de segurança com armas de fogo.

A pena de morte pode ser aplicada, temendo-se que possa ser usada para intensificar a repressão de pessoas que não são realmente responsáveis por nenhum desses atos.

CSR // FPA

Lusa/fim

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