Na última terça-feira, uma mãe latino-americana processou o governo de Donald Trump por separá-la do seu filho de sete anos, após uma tentativa de ingressarem ilegalmente nos Estados Unidos. Nesta sexta-feira, após mais de um mês separados, mãe e filho finalmente se reencontraram.

Beata Mariana de Jesús Mejía Mejía e seu filho Darwin Micheal são da Guatemala. No final de maio, eles tentaram cruzar a fronteira dos Estados Unidos com o México. Mas, dois dias depois, foram pegos e separados. “Eles pegaram o meu filho sem nenhuma explicação”, lembra a mãe.

Mejía Mejía acabou sendo conduzida para um centro de detenção no Estado americano de Maryland. Já o filho foi mandado para um centro de acolhimento no Estado do Arizona, sem o conhecimento da mãe.

Darwin é uma das 2 mil crianças que foram separadas dos pais à força, depois de cruzarem a fronteira ilegalmente. A medida é parte da “política de tolerância zero” dos Estados Unidos para imigração, anunciada há dois meses pelo governo Trump.

O presidente americano foi durantemente criticado e, na quarta-feira, voltou atrás na separação de pais e filhos. Em sua defesa, tem dito que sua administração está sendo forçada a tomar essa medida “por causa de leis herdadas do governo Obama”.

No entanto, embora a lei que embasa a detenção dos pais seja de fato a mesma que estava vigente no governo anterior, a separação de famílias é resultado da nova política de Trump, que passou a considerar crime, e não contravenção, a travessia ilegal da fronteira.

Ainda não há previsão para reunir as famílias que já foram separadas. No caso de Mejía Mejía, o reencontro ocorreu nesta sexta-feira. “Olhe para ele, ele está triste”, disse a mãe para repórteres que testemunharam o reencontro. “Mas estamos juntos agora. E nunca mais ninguém irá nos separar.”

‘Eles levaram meu menino e depois me trancaram’

Mejía Mejía cruzou a fronteira do México com os Estados Unidos perto de San Luis, no Estado do Arizona, “por volta de 19 de maio”, de acordo com o texto do processo que move contra o governo americano.

“No sábado (19 de maio), eu o levava nos meus braços. Ele ficou comigo no domingo e na maior parte da segunda-feira. Mas, então, levaram ele de mim e não nos vimos novamente”, relata a mãe. Segundo ela, nenhum funcionário do governo americano lhe deu qualquer informação sobre para onde haviam levado seu filho.

Fotografia selfie de Beata Mejia Mejia e seu filho Darwin Micheal, antes de serem separados

Depois de 11 dias de detenção, Mejía Mejía foi transferida para outro Estado, Maryland. Lá, solicitou mais informações sobre a localização do filho. “Eu recebi um número de telefone, mas eu ligava e ninguém atendia”, falou Mejía Mejía. “Eu chamei, chamei, mas o telefone nunca atendeu. Eu não sabia nada sobre o meu filho.”

Em 15 de junho, depois de pagar fiança, Mejía Mejía foi libertada. Além disso, as autoridades americanas de imigração iniciaram a tramitação de seu pedido de asilo. Mejía Mejía alega que, na Guatemala, sofria violência doméstica e era ameaçada por seu parceiro.

Em seguida, Mejía Mejía foi autorizada a falar com Darwin ao telefone pela primeira vez desde que haviam sido separados. “Eu senti que ele estava triste. Ele não é assim, é um garoto alegre.”

Getty Images: Crianças são mantidas presas nos Estados Unidos; desde maio, pelo menos 2,3 mil menores foram separados dos pais na fronteira dos Estados Unidos com o México

Primeira tentativa de reencontro foi cancelada

O reencontro de mãe e filho estava previsto para a última quarta-feira. Mas, horas antes, Mejía Mejía foi avisada de que isso não iria mais ocorrer. “Foi como se tivessem esfaqueado meu coração”, disse à BBC News Mundo.

“Eu falei com meu menino e disse: a gente vai se ver em breve, filho. Mas, infelizmente, ele não foi liberado e eu fiquei sem entender. Ele é tão pequeno”, disse Mejía Mejía.

O escritório de advocacia que representa Mejía Mejía afirmou que o governo não forneceu nenhuma informação sobre o motivo do cancelamento. “Eles não podem pegar uma criança e separá-la de sua mãe”, diz o advogado Mike Donovan. “E, além de tudo, dar informações erradas ou nenhuma informação sobre a criança.”

Mejía Mejía quer uma indenização. “Meu sofrimento é grande, mas eu vou lutar até o fim”.

A BBC questionou autoridades americanas sobre o caso, mas não obteve retorno.

Imigrantes ilegais são interceptados na fronteira do México com os Estados Unidos; a maioria do grupo é formado por mulheres, uma delas com uma criança de colo

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