Para Nascimento, “Agostinho Neto não pode ser visto como o único responsável pelos acontecimentos”, que se seguiram ao alegado golpe de Estado engendrado por figuras do MPLA que se opunham à liderança dele.

O antigo chefe do Governo referiu que muitos angolanos “encontram-se desaparecidos, sem que os seus parentes saibam se estão ou não mortos, porque nunca tiveram acesso a uma certidão de óbito, nem aos restos mortais”.

Para Lopo do Nascimento, “a abertura dos arquivos permitiria averiguar profundamente o envolvimento de todos os que estiveram directamente por detrás dos acontecimentos fatídicos daquele dia e nos seguintes”.

Na entrevista, o antigo secretário-geral do partido no poder disse que, depois dos acontecimentos, ele foi mandatado pelo próprio Presidente Agostinho Neto para uma viagem à União Soviética, para que este país retirasse de Angola alguns dos integrantes da extinta KGB.

Durante o encontro com o Presidente soviético, Leonid Brejnev, este manifestou- se preocupado com os nomes de operativos apresentados, tendo exibido algum desconforto por desconhecer o papel que estes terão desenvolvido na refrega.

Em reacção às declarações de Lopo do Nascimento, o líder da Fundação 27 de Maio, general Silva Mateus, interrogou-se “por que razão é que apenas agora o antigo dirigente sugere a abertura dos arquivos do 27 de Maio”.

Por seu turno, o antigo responsável do Amplo Movimento de Cidadãos, William Tonet, disse que as declarações de Lopo do Nascimento “embora tardias merecem uma profunda reflexão dos angolanos” e não poupou críticas à figura de Neto por causa do qualificou de “genocídio selectivo” .

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