Desde a pandemia do novo coronavírus, os ventiladores, máscaras faciais e luvas tornaram-se itens muito procurados em todo o mundo. A aquisição de equipamento médico e de proteção pessoal é um enorme problema para os países mais pobres, como a Etiópia.

No entanto, a pandemia tem estimulado mentes criativas, incluindo a de Ezedine Kamil. Aluno de ciências naturais, tem 18 anos e é natural de Welkite, uma cidade rural a 160 quilómetros da capital etíope, Adis Abeba.

Lavador de mãos sem contato

Ezedine já criou 30 invenções. Treze foram patenteadas pela organização "SaveIdeas".

A pandemia da Covid-19 deu uma oportunidade única a Ezedine. Ele elaborou um distribuidor de sabão elétrico, sem contato, com um sensor incorporado, que também pode ser acionado através de um pedal mecânico durante falhas energéticas - ocorrências comuns na Etiópia.

A invenção de Ezedine foi bem recebida pela comunidade local. Cerca de 50 distribuidores de sabão elétricos foram produzidos pela universidade local e distribuídos em bancos e hospitais em Welkite.

Escassez de ventiladores

Entretanto, os ventiladores, que ajudam os doentes a respirar, são os produtos mais desejados no momento. A Etiópia dispõe apenas de 557 ventiladores, segundo o Ministério da Saúde do país. Desse total, 214 pertencem a hospitais privados. Restam apenas 163 ventiladores para os doentes da Covid-19 - número escasso para a segunda nação mais populosa de África.

"Quando ouvi falar da escassez global e do elevado preço dos ventiladores [27.613 euros cada um], pensei em construí-los eu próprio", disse Ezedin, em entrevista à DW. "A Etiópia costumava importar essas máquinas, mas não acho que os países estrangeiros nos vão ajudar neste momento".

Tendo em conta que Ezedin nunca tinha construído um ventilador, partiu à pesquisa de manuais online. A sua invenção baseou-se numa bolsa de plástico, conhecida como bolsa "Ambu", um ventilador mecânico e um ecrã operado a partir de um telemóvel.

Depois de testar, com sucesso, um protótipo, começou a produzir e a entregar as novas máquinas à comunidade local.

Alerta de coronavírus

O jovem inventor começou a construir um dispositivo para lembrar as pessoas que não devem levar as mãos à cara, uma das principais recomendações da campanha global de sensibilização na luta contra o novo coronavírus.

"O dispositivo é como um relógio com um sensor", disse Ezedine. "Sempre que a mão se aproxima da cara, o dispositivo toca, de forma a lembrar o utilizador a não tocar no rosto".

O dispositivo é feito de aparelhos elétricos acessíveis, descartados e de materiais plásticos que não se decompõe facilmente. Ezedine descreve o aparelho como "polivalente".

"Pode-se também usar o aparelho para monitorizar o distanciamento físico de 1,5 metro, necessário para combater o vírus, aplicando-o no cinto", acrescentou.

Falta de fundos

Apesar dos seus melhores esforços, as invenções de Ezedine tardam em chegar à comunidade local. Entre as suas muitas inovações, apenas um alarme de incêndio e o saboneteiro sem contato foram implementados até agora.

"A produção em massa exige um grande investimento. Está para além da minha capacidade de iniciá-la sozinho. Exige uma grande injeção de capital", revelou Ezedine, afirmando que o maior problema na Etiópia "é que os inventores que querem trabalhar por iniciativa própria nunca obtêm apoio financeiro do Governo".

Quando o Ministério da Ciência e da Inovação da Etiópia, em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lançou recentemente um desafio Covid-19, Ezedine não tardou a apresentar a sua lista de invenções. Em 2019, ganhou um prémio de 7.415 euros pela conceção de uma bicicleta eléctrica e solar.

Enquanto o estudante brilhante espera, impacientemente, que as suas invenções ontenham apoio financeiro do Governo ou de investidores privados, está focado em transformar a sua paixão pela inovação numa carreira profissional. O seu objetivo é criar emprego para os desempregados.

"O meu grande desejo é aplicar estas invenções para o fim para o qual foram criadas e resolver os problemas presentes na comunidade".

por: Tsehay Chanie, ad

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