Biden, de 76 anos, foi incisivo num debate em que nenhum candidato se destacou particularmente, defendendo ferozmente as suas posições 'centristas' contra os dois mais à esquerda, os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren.

"Somos os Estados Unidos da América. Nunca, quando decidimos fazer algo, fomos incapazes de fazê-lo", declarou Biden, num debate que voltou a arrastar-se por quase três horas e em que estiveram em destaque temas como a saúde, a imigração e o legado de Barack Obama, além das críticas ao atual chefe de Estado, Donald Trump.

Apesar de alguns ataques pontuais contra Biden, nomeadamente no âmbito da imigração, nenhum candidato arriscou e nenhum sobressaiu.

Sanders e Warren, os mais esquerdistas, mantiveram o pacto de não agressão com o qual andam de mãos dadas na questão da saúde, a que mais preocupa o eleitorado democrata e para a qual propõem um sistema público inovador conhecido como "Medicare for all".

Neste terceiro debate entre os candidatos do Partido Democrata à nomeação para a corrida à Casa Branca, a política externa também esteve em destaque, com a guerra no Afeganistão, a mais longa travada pelos Estados Unidos, como principal foco de preocupação.

As críticas contra Trump vieram de todos os lados. A senadora Kamala Harris afirmou que as mensagens "de ódio" do Presidente nas redes sociais forneceram "as munições" para os recentes tiroteios em massa nos Estados Unidos.

"Presidente Trump, você passou os últimos dois anos e meio a tentar semear o ódio", afirmou a senadora da Califórnia.

Apesar da ofensiva, Joe Biden não se livrou de críticas devido ao número de deportações de imigrantes registadas durante o Governo Obama (2009-2017).

O jornalista da Univision Jorge Ramos, de origem mexicana, perguntou ao candidato: "Cometeu um erro com esses três milhões de deportações?". Biden tentou esquivar-se, afirmando que Obama fez "o melhor que pôde".

A resposta mereceu críticas do antigo secretário da Habitação do Governo Obama, Julian Castro, que acusou Biden de tentar tirar vantagem das políticas mais populares do ex-Presidente, mas de fugir às mais criticadas.

Joe Biden permanece firme no topo das sondagens (26,8%, de acordo com o agregador de notícias RealClearPolitics), beneficiando de uma imagem de moderado capaz de derrotar Donald Trump em 2020 e do forte apoio da comunidade afro-americana.

Logo atrás surge o independente Bernie Sanders, 78, com 17,3%, e a senadora pelo Massachusetts Elizabeth Warren, 70, com 16,8%, que mantiveram uma frente unida durante o debate, em Houston, Texas.

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