O Presidente da República, João Lourenço, divulgou na segunda-feira a lista dos novos membros do seu executivo, que encolheu de 28 para 21 ministérios, destacando-se a saída de Manuel Augusto, das Relações Exteriores, substituído pelo seu secretário de Estado, Tete António.

Fundiram-se os ministérios da Defesa Nacional com o dos Antigos Combatentes, o da Cultura com o da Hotelaria e Turismo, das Telecomunicações e Tecnologias de Informação com o Ministério da Comunicação Social, o da Agricultura com o das Pescas, e o Ministério do Comércio com o da Indústria. Também se fundiram os ministérios das Obras Públicas e do Ordenamento do Território.

Da longa lista de exonerações constam 17 ministros e 24 secretários de Estado, bem como o secretário do Presidente da República para os Assuntos Políticos, Constitucionais e Parlamentares e o diretor do Gabinete de Ação Psicológica e Informação da Casa de Segurança do Presidente da República.

Mas, entre estes, muitos assumirão as mesmas funções no novo Executivo, enquanto outros terão novas pastas e outros ascendem no poder governamental.

Em busca do "team certo"

Para Ilídio Manuel, jornalista e analista, o chefe de Estado está "a criar uma equipa que garanta uma maior confiança" e não "a afastar-se totalmente dos 'marimbondos'" - o termo cunhado pelo próprio chefe de Estado para descrever os corruptos.

"Se assim fosse, teria sacrificado determinadas figuras coligadas ao ex-Presidente José Eduardo dos Santos e que estão altamente marcadas pela corrupção. O caso mais mediático é o seu próprio diretor de gabinete", sublinha o analista, referindo-se a Edeltrudes Costa que, segundo o jornal português Expresso, é suspeito de ter beneficiado de transferências milionárias de fundos públicos.

Agostinho Sicatu, politólogo e analista, concorda que o titular do Governo de Luanda está ainda à procura de uma nova equipa governativa. "João Lourenço está à procura de um team certo para poder governar. Já o dissemos inúmeras vezes, este não é o mandato de João Lourenço, este ainda é o mandato de fazer a transição", considera.

Jovens em destaque

Nesta nova vaga de nomeações, destaca-se a entrada para o Executivo de Adjany da Silva Freitas Costa, uma jovem bióloga de 30 anos que assume um superministério que junta Cultura, Turismo e Ambiente.

Ilídio Manuel vê com bons olhos a injecção de sangue novo no Governo do Presidente João Lourenço, lembrando que "grande parte dos nomeados são pessoas jovens tecnocratas, alguns dos quais maioritariamente formados em direito e que conhecem mais ou menos os dossiers".

Outro rosto jovem entre os nomeados é o de Marcy Lopes, ex-secretário para os Assuntos Políticos, Constitucionais e Parlamentares do Presidente da República, que passa agora a ocupar o cargo de ministro da Administração do Território. Lopes será um dos rostos mais visíveis na implementação das autarquias locais e, para Agostinho Sicatu, "vai executar aquilo que o Governo entender que seja".

Segundo Pedro Sebastião, ministro de Estado e Chefe da Casa Militar do Presidente da República, as eleições autárquicas poderão ter lugar ainda este este ano, embora o mundo esteja a viver a pandemia do covid-19. "É verdade que aqui e acolá empurra-nos para uma situação que poderá perturbar esse calendário, mas, no compto geral, estamos dentro daquilo que o Governo preconizou para as eleições autárquicas", afirmou.

Autor: Manuel Luamba (em Luanda)

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